18ª edição da Patchwork Design

foto: Sandra Pagano
foto: Sandra Pagano

Entre os dias 25 e 28 de abril, o Clube Monte Líbano, na Lagoa, sediará a 18ª edição da Patchwork Design, que reúne uma feira especializada no setor, oficinas gratuitas e a mostra “Boneca de Pano é Gente” com trabalhos de artesãs de vários estados brasileiros e outros países. O evento acontecerá também em Curitiba nos dias 14 a 17 de junho.

Feira Patchwork Design
A Feira Patchwork Design vai reunir estandes de serviços e produtos da indústria têxtil como tecidos, maquinários, revistas e livros, produtos de decoração, cama, mesa, banho, vestuário e acessórios artesanais. Além da feira haverá 6 oficinas  gratuitas por dia, para quem quiser aprender a fazer alguns produtos em patchwork. Serão 15 vagas por aula e as inscrições podem ser feitas no local.

Segundo Zeca Medeiros a adesão de artesãos a feira cresce a cada dia e a visitação também surpreende. Nas duas edições do evento no Rio, em abril e novembro de 2017, teve um crescimento de 40% em relação ao evento em 2016. Só em 2017 a feira já recebeu mais de 11 mil visitantes, 23% a mais que em 2016. A expectativa, segundo a organização do evento, é de que o volume de negócios ultrapasse R$ 4 milhões.

– O aumento surpreendente no faturamento se deve a crise que potencializa o mercado do artesanato. O consumidor que está em busca de soluções originais e com bom preço, alimenta a cadeia produtiva com aumento nas vendas, beneficiando o artesão. O faturamento de cada expositor na feira oscila entre R$ 17 mil e R$ 60 mil, dependendo do produto oferecido, explica Zeca Medeiros.

O setor é tão promissor que há exemplos de profissionais que se deslocam de outros estados para atingir novos mercados. A gerente da Área de Economia Criativa do SEBRAE, Heliana Marinho, ressalta que nichos como feiras e eventos são ótimas oportunidades para apresentar o produto ao mercado.

“Boneca de Pano é Gente”
Desde a Antiguidade, o fascínio pelas bonecas esteve presente em quase todas as civilizações como representação da arte, fantasia e religiosidade. Hoje a confecção de bonecas de pano é a que mais cresce no mercado de artesanato, atraindo admiradores e colecionadores de várias idades. Uma das atrações desse ano da 18ª edição da Patchwork Design será a exposição “Boneca de Pano é Gente” – Exposição Internacional de Bonecas. Na mostra, o público poderá conhecer 27 bonecas de vários estados brasileiros e de outros países, com destaque para a boneca “Mumbi – Deusa da Criação” da artista plástica queniana Naomi Wanjiku. Naomi é agenciada pela galeria de arte inglesa “OctoberGallery” e já apresentou obras no Brasil na exposição Contemporâneo em 2013 e no museu Afro Brasil em São Paulo em 2015.

“Boneca de Pano é Gente” é uma homenagem a “boneca/gente” Emília criada por Monteiro Lobato, personificação dessa fantasia no inconsciente coletivo do brasileiro a partir dos 40 anos, afirma Zeca Medeiros, curador da exposição. “Objeto  que alimenta fantasias infantis em milhões de lares mundo afora e acompanha o  homem há milênios, a boneca povoa até mesmo o inconsciente de adultos” conclui.

Na opinião de Perla Rafaelly, uma das expositoras e curadora da exposição, o mercado de bonecas de pano hoje é amplo e está em crescimento direcionado para o público adulto  e infantil. Algumas pessoas fazem por hobby, terapia, para presentear ou para vender e fazer renda.  Segundo a artesã, no mundo do artesanato do pano onde o tecido é a matéria prima principal, as bonecas já tomaram um espaço significativo entre 35 a 40% e vem crescendo cada vez mais. “As feiras de artesanato e as redes sociais são grandes colaboradoras para esse crescimento. Existem expositores ou artesãos que sustentam suas famílias com as vendas de bonecas, matérias e moldes para confecção das mesmas e workshops para ensinar a confeccionar as bonecas”, finaliza.

Um dos motivos que fez a confecção de bonecas de pano no Brasil deixar de ser apenas a fabricação de um brinquedo infantil e abraçar um público e um mercado maior foi a influência sofrida pela artista norueguesa Tonne Finnanger em 1999, que com 25 anos de idade criou a boneca Tilda, uma boneca totalmente de pano, cabelos de lã com uma particularidade: não possuir boca, apenas olhos pretos e bochechas rosadas. Essas características, segundo Tonne, seriam para a boneca falar com o coração.  Depois vieram influências das bonecas russas que são articuladas e ficam de pé sozinhas, das bonecas Waldorf confeccionadas de forma artesanal com a utilização (inclusive no enchimento) de materiais totalmente naturais: malha e tecido de puro algodão e feltro e fios de lã pura de carneiro, das bonecas Country trazendo a cultura americana nas cores e formas, das bonecas de escultura têxtil e soft onde a boneca é modelada minuciosamente com linha e agulha recebendo formas e feições, entre outras.

“Nas feiras onde reunimos artistas de várias regiões do Brasil podemos observar muitas influências étnicas e culturais de cada região”. As bonequeiras da região Sul, por exemplo, são muito detalhistas, capricham muito no uso de acessórios, bordados, rendas, pinturas e detalhes feitos manualmente. Já as bonequeiras da região Nordeste trazem muito mais alegrias com colorido, variedade nas texturas e  estampas dos tecidos, explica Perla.

Entre os trabalhos apresentados na exposição “Boneca de Pano é Gente” está a boneca Frida, da artesã de Aracruz/ES, Ana Paula Cavalari. A boneca ganhou medalha de bronze na Exposição de Arte Bunkyo em 2015. Ana Paula é dona do Estúdio Cavalari e desenvolveu o projeto Bonecas do Bem, que doa uma boneca para uma criança em necessidade para cada duas bonecas vendidas.

Um pouco da história
“A boneca atuou como ator importante nos ritos cerimoniais da Antiguidade, já que são vastos os registros desse objeto em textos romanos, gregos e também em informações de escavações arqueológicas que encontraram bonecas, especialmente em túmulos, confeccionadas com materiais diversos. Essas bonecas, encontrados especialmente nas escavações da bacia mediterrânea, eram feitas em terracota, osso, marfim e madeira, algumas dotadas de articulações nos joelhos. Desde a Antiguidade, a boneca foi recebendo novas formas, ou seja, foi se traduzindo para ser cada vez mais manipulada pelas crianças. Câmara Cascudo (1988) aponta a boneca de pano como um dos principais documentos de informação sobre o povo brasileiro. Aportando aqui como imigrante junto aos escravos, ela atuou como elemento constitutivo da cultura lúdica infantil, especialmente para crianças desprovidas de poder aquisitivo. As mulheres a fabricavam para o uso das crianças da família, normalmente utilizando restos da produção de outros produtos, como lãs, tecidos, algodão, etc.  (Fonte: trecho do estudo de mestrado das pesquisadoras Roselne Santarosa de Sousa e Maria de Fátima A. de Queiroz e Melo, ambas da Universidade Federal de São João Del Rey).

SERVIÇO:

18ª edição da Patchwork Design – Feira de produtos e serviços, oficinas gratuitas e Mostra “Boneca de Pano é Gente”.
Data: 25 a 28 de abril
Local: Clube Monte Líbano – Rua Borges de Medeiros, 701 – Lagoa
Horário: 13h às 19h
Entrada: R$ 24,00 inteira e R$ 12,00 meia
Site: http://www.bializ.com/patchworkdesign/ 

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