Crise não deve afetar gastos no verão, diz Ministério do Turismo

Foto: Wikipedia

A crise econômica parece não ter afetado o turismo na mesma proporção que outros setores da economia brasileira. O Ministério do Turismo estima que as famílias brasileiras realizarão 73,4 milhões de viagens durante o verão, que começa hoje (21) e se estende até fevereiro de 2017.

Se alcançado, o número representará um incremento de 0,8% em comparação com o último período, quando foram registradas 72 milhões de viagens. A expectativa é que esses turistas movimentem  R$ 100 bilhões.

O otimismo do ministério é ainda maior em relação a vinda de estrangeiros ao país. Espera-se que 2,4 milhões de turistas de outros países desembarquem nos principais destinos nacionais, um incremento de 11% quando comparado com o último verão.

Considerando que cada turista estrangeiro gasta, em média, US$ 1,1 mil, o gasto global pode chegar a US$ 2,6 bilhões (R$ 8,7 bi pelo câmbio desta quarta-feira). A maior parte desses turistas vem de países vizinhos, especialmente, a Argentina.

Segundo o ministro Marx Beltrão, o turismo caminha na contramão da crise e já responde por pouco mais de 3.5% do Produto Interno Bruto (PIB – a soma dos valores de todos os bens e serviços produzidos no país) brasileiro. “Mesmo em um momento de crise, o turismo está avançando”, disse Beltrão durante a divulgação do estudo encomendado à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Queda no nível de emprego

Dados do Boletim de Desempenho Econômico do Turismo, divulgado em outubro, já indicavam que o faturamento consolidado das atividades turísticas cresceu 66% no terceiro trimestre de 2016 em comparação com o segundo trimestre e há perspectivas otimistas em relação aos investimentos futuros. Apesar do aquecimento dos negócios, o nível de emprego no setor caiu 15% no terceiro trimestre e o ministério ainda não divulgou se o resultado será revertido frente às expectativas para o verão.

Segundo o ministro do Turismo, o esperado crescimento do número de turistas estrangeiros é, em parte, fruto do fato de o Brasil ter sediado a Copa do Mundo e, principalmente, as Olimpíadas.

“Os eventos foram uma grande vitrine e muitos acreditam que aí foi o ápice da promoção dos destinos brasileiros mundo afora. Nós preferimos acreditar que esse foi o início [do trabalho] para mostrarmos que o Brasil está preparado para avançar em relação ao turismo. Mais de 90% dos estrangeiros que vieram ao país durante as Olimpíadas afirmaram que queriam retornar. E outros que não vieram, mas passaram a ver o país com bons olhos, passam a querer conhecê-lo”.

Cortes no orçamento

O próprio ministro, no entanto, reconheceu que a situação dos cofres públicos e o corte de orçamento impactaram a execução de programas e iniciativas do ministério, mas garantiu que o governo estuda medidas para reforçar o caixa da pasta e de sua principal autarquia, a Embratur.

“Cortes foram feitos durante a gestão passada. O trabalho que vem sendo feito é para aumentar os recursos do ministério devido à importância do turismo. Claro que,se tivermos mais recursos para a promoção nacional e internacional do país, podemos aumentar em muito os números de turistas”, disse.

De acordo com o coordenador do levantamento, o diretor de Estudos Econômicos e Pesquisas do ministério, José Francisco de Salles Lopes, entre os destinos que receberão maior número de turistas brasileiros estão  São Paulo, Florianópolis, Rio de Janeiro, Praia Grande (SP), Salvador, Fortaleza, Curitiba, Cabo Frio, Balneário Camboriú, em Santa Catarina, e Recife.

O principal meio de transporte dos brasileiros que vão viajar será o carro (53% das viagens), seguido por ônibus (27%) e o avião (8%). Seis em cada dez turistas brasileiros pretendem se hospedar na casa de amigos e parentes.

Apenas 19% dos viajantes domésticos vão pernoitar em hotéis, pousadas e resorts e 10% alugarão um imóvel de temporada. Lopes ainda destacou o papel do turismo como redistribuidor de renda. Para cada morador da região Nordeste que viaja para o Sudeste, dois fazem o percurso inverso.

E a cada real que um nordestino gasta durante a viagem, o morador do Sudeste deixa nos estabelecimentos nordestinos, em média, R$ 3.”A economia do turismo é extremamente forte se considerarmos a atividade econômica nacional como um todo, doméstica e regional”, finalizou.

Agência Brasil

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