Deixa a dor por minha conta na Arena Sesc Copacabana

Foto: Rafael Blasi

 DEIXA A DOR POR MINHA CONTA, um musical tipicamente brasileiro que revela o mais bem guardado segredo da MPB: Sidney Miller. Compositor de primeira linha da música brasileira, mas hoje relativamente esquecido, ele será revisitado nesse espetáculo que, de modo não biográfico, apresenta a sua obra musical, e dá vida a personagens e imagens de suas canções. O espetáculo estreia para o público dia 10 de março, às 20h30, no Sesc Copacabana.

 Escrito pelo jornalista e pesquisador de música Hugo Sukman e pelo dramaturgo Marcos França, autor de vários musicais sobre compositores brasileiros como Mario Lago, Ary Barroso e Antônio Maria, DEIXA A DOR POR MINHA CONTA é totalmente inspirado na música de Sidney Miller, e apresenta 27 de suas canções para o público brasileiro. Sua vida curta, de apenas 35 anos; sua carreira acidentada, que gerou apenas quatro LPs; talvez expliquem seu relativo esquecimento. Autor de inúmeros sucessos como “O circo”, que abriu a novela da Rede Globo “À sombra dos laranjais”, ou “A estrada e o violeiro”, melhor letra do mais importante dos festivais, o da Record de 1967 – a qualidade, densidade e diversidade de sua obra, além de sua potencialidade dramática justificam seu urgente resgate.

 Os personagens, os espaços de suas canções, estarão presentes na história de José das Tantas, artista que na madrugada de uma terça de carnaval entra num botequim junto com outros foliões no utópico desejo que a festa de Momo não termine. No estabelecimento idealizado por Sidney em “Botequim N.1”, ele encontra outros personagens de sua obra: o amor de sua vida, Maria Joana; Antonieta, moça que lhe promete prazeres imediatos; o garçom amigo. Nessa noite que beira o realismo fantástico, acontece a grande transformação de um homem desiludido que não vê esperanças (Pois é, pra quê?), passando pelo encontro amoroso (“Menina da agulha), pela dor da perda (“Nós, os foliões”), para o homem que compreende que todo ano a festa se renova (“Pede passagem). Dessa forma, as canções de Sidney Miller vão ganhando novos sentidos e cotam a história da peça.

 Com direção do próprio França e Direção Musical de Luís Filipe de Lima, responsável por sucessos como “Sassaricando” e “Bilac vê estrelas”, DEIXA A DOR POR MINHA CONTA tem como objetivo reapresentar a obra deste grande compositor, num espetáculo não-biográfico inédito, que traz no elenco atores cantores com vasta experiência no teatro musical: Ivan Vellame (Bossa Nova; Lapinha) vive o violeiro José das Tantas; Lu Vieira (Gonzagão, a lenda) é Maria – a musa inspiradora; Clara Santhana (Deixa Clarear) dá voz a Antonieta, a mulher da noite; além de Gustavo Ottoni como Frederico, o garçom filósofo onisciente. Além dos quatro atores/cantores, a peça conta com a participação dos jovens atores Sophia Dornellas, Rômulo Weber, Júlia de Aquino e Hamilton Dias.

 SOBRE SIDNEY MILLER

Compositor brasileiro típico da década de 60, Sidney Miller ganhou projeção nos festivais desde 1965, quando com apenas 20 anos concorreu como o samba “Queixa”, em parceria com Zé Ketti e interpretado pelo não menos consagrado Ciro Monteiro. Em 1967, no disco “Vento de maio”, a cantora Nara Leão lança oficialmente os dois mais brilhantes compositores jovens do Brasil: Chico Buarque, com quatro músicas, Sidney Miller, com cinco. Além da qualidade das canções (sobretudo sambas), Chico e Sidney faziam uma música muito nova e que, ao mesmo tempo, dialogava com toda a tradição da música brasileira.

Ainda em 1967, pela mítica e exclusivíssima gravadora Elenco, sai o primeiro disco de Sidney Miller, uma incrível coleção de sambas e canções. No ano seguinte, sai também pela Elenco “Do Guarani ao guaraná”, seu segundo disco, no qual dialoga com o tropicalismo, conta com a participação de artistas como Paulinho da Viola, Gal Costa, Jards Macalé, Nara Leão, MPB-4, do qual emerge a toada “Pois é, pra quê”, um dos mais singelos retratos do Brasil da ditadura.

Sidney Miller passaria a década de 70 produzindo discos de outros artistas, como o vanguardista “Coisas do mundo” de Nara Leão, trilhas para cinema e scores para teatro. Influenciado pelo rock e pelo Clube da Esquina, lançaria ainda um disco pela Som Livre, “Línguas de fogo”, na época incompreendido, hoje querido pela crítica e disputado por colecionadores.

Trabalhava na Funarte e preparava seu quarto disco quando morreu em 1980. A própria Funarte o homenageou ao batizar seu teatro no Rio de Janeiro de Sala Sidney Miller e de lançar, com produção de Herminio Bello de Carvalho, e participações de Alaíde Costa, Zezé Gonzaga e Zé Luiz Mazziotti seu disco póstumo.  Desde muito pouco se tem falado de Sidney Miller. A comemoração de seus 70 anos de nascimento é uma oportunidade de revelar esse bem guardado segredo chamado Sidney Miller. Nada melhor do que o teatro para fazer essa homenagem.

 Autores

Hugo Sukman é jornalista e crítico de música, curador do novo Museu da Imagem e do Som, do Rio de Janeiro. É autor, entre outros, dos livros “Martinho da Vila – Discobiografia” (2013), “Histórias paralelas – 50 anos de música brasileira” (2011), “Heranças do samba” (2004), com Aldir Blanc e Luiz Fernando Vianna, todos pela Casa da Palavra. Colabora com diversas publicações brasileiras e foi repórter, editor e crítico de música no Globo e no Jornal do Brasil. Dirigiu para a TV programas como “Feira Carioca do Samba” (Canal Brasil, 2008) e “Hoje é dia de música” (Conspiração/HBO, 2014) e shows como “Edu Lobo – 70 anos”.

 Marcos França é ator e dramaturgo. Entre os seus textos mais significativos, destacam-se NA ROTINA DOS BARES, musical sobre a história da boemia carioca; AQUARELAS DO ARY, musical sobre Ary Barroso (indicado para o 2o prêmio Contigo de teatro 2008 – melhor espetáculo musical nacional); AI, QUE SAUDADES DO LAGO!, sobre Mário Lago (indicado para o 1o Prêmio Contigo de teatro 2007 – melhor espetáculo musical nacional); A NOITE É UMA CRIANÇA, musical sobre a vida de Antonio Maria (indicado pelo Jornal O Globo como umas das 10 melhores peças do ano de 2004); A RUA DOS CATAVENTOS, sobre a obra de Mario Quintana; DRUMMOND – O HOMEM POR TRÁS DOS ÓCULOS, espetáculo comemorativo pelo centenário de Carlos Drummond de Andrade. É autor do inédito AINDA FALTA MUITO PRA ACABAR (Finalista Seleção Brasil em Cena – Centro Cultural Banco do Brasil -2009)

 Sobre o Diretor e dramaturgo Marcos França

MARCOS FRANÇA é ator, diretor e dramaturgo. Começou sua no Centro de Demolição e Construção do Espetáculo, de Aderbal Freire Filho onde encenou diversas peças, entre elas: O TIRO QUE MUDOU A HISTÓRIA e TIRADENTES, A INCONFIDÊNCIA NO RIO. Membro do grupo carioca Teatro do Pequeno Gesto fez parte do elenco de A SERPENTE e HENRIQUE IV, NAVALHA NA CARNE, ANTIGONACREONTE e CASA DA MORTE, todos com direção de Antônio Guedes. Em 98 foi indicado para o PRÊMIO MAMBEMBE como melhor ator coadjuvante pelo espetáculo CORAÇÃO MAMULENGO, de Carmen Leonora. Em 2004, junto com Joana Lebreiro, criou o Núcleo Informal de Teatro, grupo dedicado a investigar nomes da música popular brasileira e realiza os espetáculos musicais de sua autoria AQUARELAS DO ARY (2007/2008); AI, QUE SAUDADES DO LAGO! (2006) e A NOITE É UMA CRIANÇA (2004), sempre com foco na narrativa e em compositores nacionais. Escreveu e atuou no musical NA ROTINA DOS BARES, uma história da boemia carioca, com direção de Ana Paula Abreu. Em 2014 esteve em cartaz com a TRILOGIA POÉTICA, projeto que reúne 3 espetáculos sobre Drummond, Quintana e Bandeira.

 SINOPSE

Musical sobre a obra de Sidney Miller. Numa madrugada de quarta-feira de cinzas, um folião entra num velho botequim sem qualquer perspectiva, desistindo da vida. Sem a folia, sua vida, real, mostra-se dura demais. Enquanto não amanhece, ele conta aos foliões sobre as suas questões, seu grande amor e sua própria vida.

 FICHA TÉCNICA

Texto Original: Hugo Sukman e Marcos França

Direção artística: Marcos França

Direção Musical e Arranjos: Luís Filipe de Lima

Idealização: Hugo Sukman e Marcos França

Elenco: Ivan Vellame, Lu Vieira, Clara Santhana, Gustavo Ottoni, Sophia Dornellas, Rômulo Weber, Júlia de Aquino e Hamilton Dias.

Coreografias e Direção de Movimento: Priscila Vidca

Direção Vocal: Pedro Lima

Iluminação: Luiz Paulo Nenén

Direção de arte: Jackson Tinoco e Bruno Perlatto

Fotos: Rafael Blasi

Assessoria de Imprensa: Lu Nabuco Assessoria em Comunicação

Direção de produção: Ana Paula Abreu e Renata Blasi

Produção: Diálogo da Arte Produções Culturais

Realização: Informal Produções Artísticas

 SERVIÇO

DEIXA A DOR POR MINHA CONTA – UM MUSICAL SOBRE A OBRA DE SIDNEY MILLER.

Temporada: 10 de março a 9 de abril de 2017

Horário: Quinta a sábado às 20h30 e domingo às 19h.

Local: Arena SESC Copacabana

Lotação: 242 lugares

Gênero: Musical Brasileiro

Ingressos: R$ 6 (associado do Sesc), R$ 12 (meia), R$ 25 (inteira)

Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ

Informações: (21) 2547-0156

Bilheteria: aberta de terça a domingo, sendo de terça a sábado das 13h às 21h e domingos das 13h às 20h.

Duração: 90 min

Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 14 anos.

 

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