Eleições EUA: Hillary Clinton pode se tornar primeira mulher a chegar ao poder

“Eu não nasci democrata” disse, uma vez, Hillary Clinton, 69 anos, ao se referir à sua infância conservadora e também ao período em que fez militância para o senador Barry Goldwater, nos anos 60. O político é até hoje uma das maiores referências do Parido Republicano. Em 1966, porém, ela assistiu a um discurso do reverendo Martin Luther King, o homem que liderou a conquista dos direitos civis em favor dos negros. O discurso teve um profundo impacto em sua vida e serviu, anos mais tarde, para que ela entrasse definitivamente na vida política, pelo Partido Democrata, com uma proposta de governo em favor dos pobres, imigrantes, negros, latinos e movimento LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Travestis, Transgêneros e Intersexuais).

Mas não foi fácil para ela se desgrudar do ambiente conservador da família. Nascida em 26 de outubro de 1969 no hospital Edegwater, em Chicago, uma das maiores referências na área de saúde do estado de Illinois, ela e seus dois irmãos mais jovens –  Hugh (nascido em 1950) e Anthony (nascido em 1957) – foram submetidos desde cedo, pelo pai Hugh e pela mãe Dorothy, a uma vida disciplinada. Valores tradicionais embasaram a formação da candidata, que teve educação familiar rígida, comparecia à igreja todos os domingos, obedecia a regra de respeito aos mais velhos e sempre foi orientada a cumprir o dever de casa e à prática de esportes. Preocupado com o futuro da filha mais velha, o pai  – um instrutor físico da Marinha – sempre lhe dizia: “tudo o que um homem pode fazer, você também pode”.

Família e carreira 

Adepta da Igreja Metodista, Hillary teve, além de Martin Luther King, o pastor Dom Jones, também metodista, como o grande inspirador de sua vida. “Foi ele quem me ensinou significado da fé na prática”, disse Hillary, ao se referir aos conselhos de Dom Jones para que mantivesse a ambição de mudar o mundo, sem no entanto descuidar das tarefas práticas, como ter uma família e zelar pela profissão. Hillary levou o conselho de Dom Jones ao pé da letra e buscou os dois objetivos – familia e profissão – quase ao mesmo tempo.

Primeiro, Hillary graduou-se em Ciência Política pelo Wellesley College, em 1969, onde se tornou a primeira estudante oradora de turma. Durante a solenidade, fez um discurso que repercutiu em todas as universidades americanas e ofuscou até mesmo o orador oficial, o senador Edward Brooke. Em um dos trechos, ela disse: “devemos viver em relação uns aos outros na poesia completa da existência. Se a única ferramenta que temos em última análise para usar é a nossa vida, vamos usá-la da maneira que podemos, escolhendo uma forma de viver que demonstre o jeito como nos sentimos e da forma como sabemos”.

Depois de passar pelo Wellesley College, onde passou a adotar posições claramente identificadas com o Partido Democrata, Hillary ingressou na Universidade de Yale, uma das mais prestigiadas dos Estados Unidos. Foi lá que conheceu o então jovem William (Bill) Clinton. Eles começaram a namorar e alugaram a primeira casa juntos. Nesse período, eles apoiaram o então candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, George McGovern, um crítico da Guerra do Vietnã. Em 1973, ela recebeu o título de doutora pela Faculdade de Direito de Yale.

De advogada a protagonista política 

Em 1974, com apenas 26 anos, Hillary foi convidada para integrar a equipe de advogados que recebeu a incumbência de acumular provas que levariam ao impeachment do então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon. O ex-presidente Nixon, porém, renunciou ao mandato em 9 de agosto de 1974, antes da votação do impeachment pelo Congressso. Bill Clinton também foi convidado para fazer parte da equipe de advogados, optou por outro convite, para ser candidato a governador do estado Arkansas. Em 1975, antes de Clinton tomar posse, Hillary deixou o posto de assessora jurídica do Congresso, casou-se com Bill Clinton.

Quando Bill Clinton assumiu a presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 1993, Hillary foi incumbida da tarefa de ajudar a promulgar o plano de saúde Clinton, que no entanto não foi para a frente. Entre 1997 e 1999, Hillary Clinton ajudou a criar o Programa Estatal de Seguro de Saúde das Crianças. Ela também ajudou a enfrentar os problemas de adoção, segurança familiar e cuidados de acolhimento. Na conferência da ONU, em 1995,  realizada em Pequim, Hillary declarou em um discurso, que na época gerou polêmica, que “os direitos humanos são direitos das mulheres e os direitos das mulheres são direitos humanos”. Ainda durante o mandato de Bill Clinton, em 1998, o presidente enfrentou um escândalo ao se relacionar com a estagiária da Casa Branca, Mônica Lewinsky, mas o casamento com Hillary sobreviveu à crise, que teve ampla exposição na imprensa.

Em 2000, Hillary Clinton foi eleita senadora por Nova York. Foi a primeira mulher a ser eleita senadora no estado e a primeira vez que uma mulher de presidente norte-americano era eleita. Em 2006, ela foi reeleita senadora e, logo depois, concorreu para a nomeação democrata na eleição presidencial de 2008. Naquele momento ela se tornou a mulher que ganhou mais primárias na história norte-americana. Porém, acabou perdendo a nomeação para o atual presidente Barack Obama, de quem foi secretária de Estado de 2009 a 2013.

Em 2016, Hillary Clinton lançou sua candidatura para ser a indicada do Partido Democrata democrata à presidência dos Estados Unidos. Em julho, Hillary venceu as primárias democratas e tornou-se a primeira mulher a ser indicada para a presidência dos Estados Unidos por um grande partido político.

Agência Brasil

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