Exposição: “Artesania Fotográfica”

Artesania Fotográfica - BNDES - Ricardo Hantzchel

Será lançado o catálogo [104 páginas, 20 x 23cm] da coletiva “Artesania Fotográfica – a construção e a desconstrução da imagem”, em cartaz na Galeria BNDES RJ, com entrada franca.

Junto com o lançamento da publicação, que terá distribuição gratuita ao público, haverá uma conversa com a curadora Marcia Mello e fotógrafos participantes da mostra, em cartaz até 22 de setembro, de segunda a sexta, das 10 às 19h. Grátis e livre.

Ailton Silva, Cris Bierrenbach, Francisco Moreira da Costa, Mauro Fainguelernt, Ricardo Hantzschel, Roger Sassaki, Tiago Moraes e Regina Alvarez [já falecida e homenageada na mostra] usam processos artesanais de séculos passados com a estética contemporânea.

Abaixo mais informações sobre “Artesania Fotográfica”.

Concebida especialmente para a Galeria BNDES, “Artesania Fotográfica – a construção e a desconstrução da imagem”, sob curadoria da pesquisadora Marcia Mello, reune obras de oito fotógrafos contemporâneos brasileiros que usam processos alternativos de impressão de imagem, como as praticadas a partir de 1839 e até o início do século XX por amadores e profissionais: daguerreotipia, ambrotipia, fotogravura, cianotipia, albumina e calotipo [descrição abaixo].

A curadora elegeu trabalhos com temáticas recorrentes ao universo fotográfico: retratos, paisagens, objetos, vegetais. No entanto, os resultados obtidos por Ailton Silva, Cris Bierrenbach, Francisco Moreira da Costa, Mauro Fainguelernt, Ricardo Hantzschel, Roger Sassaki, e Tiago Moraes surpreendem com abordagens transgressoras, que fragmentam o espaço e trazem uma visualidade contemporânea aos temas clássicos.

A produção de fotografias com técnicas históricas contrasta violentamente com a profusão de imagens geradas hoje por aparelhos celulares e a facilidade de sua difusão pelas redes sociais e outras mídias contemporâneas.

A indústria fotográfica, que se iniciou em 1880, padronizou formatos, técnicas, equipamentos e a maneira de fazer fotografia. A estrutura dos materiais ficou limitada a alguns modelos e as técnicas artesanais caíram em desuso. Pesquisando livros antigos, decifrando fórmulas em manuais técnicos, os fotógrafos dessa mostra adaptam os materiais e as etapas do trabalho para obtenção da imagem única, incomum e intrigante.

A exposição inclui equipamentos, instrumental, produtos químicos para trazer ao público um pouco do mundo do laboratório e do estúdio dos fotógrafos. Também estão em exibição alguns exemplares fotográficos históricos para um cotejamento entre a produção atual e a dos séculos anteriores.

A fotógrafa Regina Alvarez [Rio de Janeiro, 1948-2007], pioneira na retomada do uso de técnicas alternativas de produção e impressão de fotografia no Brasil nos anos 1970, é homenageada com apresentação de documentos, anotações pessoais e trabalhos de sua autoria.

Técnicas

Daguerreotipia – imagem única, não reproduzível e totalmente inorgânica, produzida em suporte metálico, sem emulsões, apenas através da reação química entre prata, iodo, bromo e mercúrio.

Ambrotipia – imagem fotográfica positiva sobre placas de vidro. Método antigo, surgiu no início da década de 1850, como alternativa ao daguerreótipo.

Cianotipia – processo de cópia fotográfica de desenhos, plantas, mapas etc. sobre papel tratado com sais de ferro.

Albumina – substância extraída da clara de ovo e usada para fixar os sais de prata ao papel. Foi a forma mais popular de impressão fotográfica até o início do século XX.

Calotipo – papel fino sensibilizado em sais de iodeto, brometo e prata que é exposto ainda úmido na câmera e rapidamente revelado, gerando uma imagem negativa.

Artistas participantes

Ailton Silva [Candeias, Bahia, 1980-]

As imagens de plantas e paisagens da Argentina usam a impressão sobre papel albuminado [com clara de ovo], muito usado no século XIX, e hoje feitos artesanalmente por ele. Ailton Silva é impressor especializado em processos analógicos históricos e contemporâneos e responsável pelo laboratório do Instituto Moreira Salles, de preservação e restauração de acervos de negativos originais. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Cris Bierrenbach [São Paulo, 1964-]

Adaptou técnicas históricas para obter imagens de conteúdo e estética atuais. Ela usa goma bicromatada para a impressão de retratos sobre tecido. Fotógrafa e artista plástica, Cris Bierrenbach desenvolve um trabalho artístico que inclui vídeo, performance, instalação e pesquisa sobre técnicas de impressão fotográfica do século XIX. Vive e trabalha em São Paulo.

Francisco Moreira da Costa [Rio de Janeiro, 1960-]

Pesquisa a daguerreotipia desde 1996, sendo o único brasileiro a utilizar a técnica original e está entre os 50 daguerreotipistas contemporâneos em atividade no mundo inteiro. Os objetos retratados – candeeiros, cestos, jarro de flores, raízes, frutas – trazem o passado abandonado, que percorre toda a produção de Francisco, que propõe recuperar objetos e paisagem esquecidos pelo tempo. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Mauro Fainguelernt [Rio de Janeiro, 1962-]

Seu fazer fotográfico remonta ao princípio da fotografia: a geração de uma imagem em uma câmera escura construída por ele mesmo – PINHOLE -, sem lentes ou qualquer outro recurso tecnológico. A série Anamórfica é constituída por imagens feitas com essas câmeras, a partir de experiências com diferentes planos cônicos de projeção. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Ricardo Hantzschel [São Paulo, 1964-]

Retoma um dos primeiros processos fotográficos desenvolvido por Fox Talbot na Inglaterra, o calótipo, raro nas coleções brasileiras e na prática contemporânea. Viajante, pesquisador, mestre de oficina, íntimo do mar, escolheu registrar territórios de salinas, em Cabo Frio, Araruama e outros canteiros geométricos de brancura total. Em razão de o trabalho ser manual, vê-se a pincelada dos produtos químicos no perímetro da imagem. Vive e trabalha em São Paulo.

 Roger Hama Sassaki [São Paulo, 1977-]

Pratica a ambrotipia, usa o vidro e o papel como suporte para chegar a imagens negativas, com equipamentos antigos e respeitando os formatos diminutos da época, em retratos e paisagens urbanas, nessa exposição. Explorador visual, Sassaki trabalha em estúdio e circula pela cidade com uma caixa de revelação acoplada à bicicleta, registrando-a em calótipos e ambrótipos.

Tiago Moraes [São Paulo, 1966-]

Usa a cianotipia e a platinotipia para fazer grandes panorâmicas de paisagens urbanas, fragmentadas e complementares, de forte impacto visual. Fotografa com negativo de grande formato, edita dezenas de fotogramas justapostos, usando papel sensibilizado com sais de ferro ou platina. A obra de Tiago Moraes recupera elementos basilares da linguagem e da prática da fotografia, como o formato panorâmico. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

A curadora

Marcia Mello é bacharel em Letras pela UFRJ, pesquisadora, curadora e conservadora de fotografia. Entre 2006 e 2016 foi diretora-curadora da Galeria Tempo (RJ). É autora dos livros “Só Existe um Rio” (Andrea Jakobsson Estúdio, 2008) e “Refúgio do Olhar, a fotografia de Kurt Klagsbrunn no Brasil dos anos 1940” (Casa da Palavra, 2013), ambos em parceria com Mauricio Lissovsky.

Entre suas atividades mais recentes estão a co-curadoria de “Kurt Klagsbrunn, um fotógrafo humanista no Rio (1940-1960)”, “Rossini Perez, entre o morro da Saúde e a África” e “Ângulos da Notícia, 90 anos de fotojornalismo em O Globo”, no MAR, todas em 2015. Assinou a curadoria de “Tempos de Chumbo, Tempo de Bossa – os anos 60 pelas lentes de Evandro Teixeira”, Centro Cultural da Justiça Federal, RJ, 2014, e “Deveria ser cego o homem invisível?”, individual de Renan Cepeda na Galeria Espaço SESC Copacabana, 2015.

Como pesquisadora, participou das exposições e livros: “Alair Gomes – A new Sentimental Journey” (Cosac Naify, 2009) e “Caixa Preta – fotografias de Celso Brandão” (Estúdio Madalena, 2016), ambas com curadoria de Miguel Rio Branco e exibidas na Maison Européenne de la Photographie em Paris.

Artesania fotográfica – a construção e a descontrução da imagem está aberta ao público até 22 de setembro de 2017, de segunda a sexta, das 10 às 19h. Grátis e livre.

Produção: Automática

Apoio: Museu de Arte do Rio

Realização: BNDES

 

 

 

 

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