Exposição de Morgan-Snell

Foto divulgação

O Centro Cultural dos Correios apresenta, a mostra de uma artista considerada um caso à parte no mundo da arte, Morgan-Snell, e apresenta cerca de 70 obras selecionadas pelo curador Marc Pottier, sobre seu trabalho em desenho, pintura e escultura considerado original e vanguardista. A mostra fica ambientada na Instituição até 04 de dezembro.

Após quatro décadas a exposição dá a oportunidade de o público revisitar a produção desta artista única, onde o corpo está no âmago do seu trabalho e o nu se faz presente de forma marcante. Artista figurativa e de formação autodidata – o que soa estranho para alguém de seu estrato social – sempre conviveu com a alta sociedade de Paris, Rio e São Paulo. Aprendendo através de observação, sua primeira exposição foi realizada em 1946, na Galeria Barcinski, no Rio de Janeiro. Pertencente à burguesia industrial brasileira Morgan-Snell foi uma rebelde que não se submeteu às tendências de sua época. Seus temas originam-se na mitologia grega, na Bíblia, na Divina Comédia e no Inferno de Dante. Homens e mulheres, quase sempre presentes, evoluem num universo libertado das leis da gravidade.

A obra excepcional de Morgan Snell superou sua própria criadora. Embora ausente dos grandes movimentos artísticos que dominaram o século XX, sua produção figurativa, supra-realista, com elementos do maneirismo e a celebração do corpo, se juntam hoje às áreas de vários movimentos de criação. Cabe aos analisadores do século XXI decodificar seus cenários que são provavelmente muito menos clássicos do que deixam pressentir à primeira vista.

A vivacidade das cores que ela usava em suas obras era uma vibrante homenagem à plumagem de todas as aves que sempre a cercavam em seu estúdio. Segundo ela, as aves lhe proporcionavam a música para sua criação. Até hoje é possível constatar que algumas marcas de seus companheiros estão até hoje presos na espessura de sua pintura. Sua brasilidade foi representada em sua obra e a acompanhou mesmo quando se mudou para Paris após seu casamento, por volta de 1947-48. Ainda que suas fontes de inspiração variem de Tiepolo a Michelangelo passando por Rubens, seu trabalho nunca deixou de expressar essas referências. Por exemplo, em sua obra ‘A Virgem de Pentecostes’, um índio de porte atlético homenageia o continente sul-americano e expressa a sensualidade permanente da sua obra.

Um elemento importante que define a obra de Morgan-Snell é o traço, com o corpo como paixão, usando linhas cósmicas que dão eternidade a seus personagens, uma espécie de erotismo na espátula. Grande inventora de padrões e criadora de aspectos, a obra de Morgan-Snell é figurativa, mas também capaz de expressar o irreal. Em sua correção plástica, o desenho de Morgan-Snell remete a um classicismo sobre o qual não se pode enganar. Incisivo, mordaz, muitas vezes no limite da indecência, o traço exibe um realismo cuja ambivalência redobra o poder do artista. A precisão clínica do traço é indissociável de uma sensualidade tendendo uma e outra a comunicar uma emoção que nunca é em detrimento do pensamento. É para esse prazer que a obra de Morgan-Snell convida o público a sentir.

Serviço:

Morgan-Snell (1920-2007)

Curadoria: Marc Pottier
Exposição: Até 04 de dezembro de 2016
De terça-feira a domingo, de 12h às 19h.
Centro Cultural dos Correios
Rua Visconde de Itaboraí 20
Centro, RJ – Tel.: (21) 2253-1580
Classificação indicativa: Recomendado para maiores de 12 anos

 

Deixe uma resposta