Gaeco realiza operação na Ilha do Governador

Foto: Divulgação

A Subsecretaria de Inteligência (SSINTE) da Secretaria de Estado de Segurança e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO-MPRJ) desencadearam, nesta quarta-feira (19), a Operação Soberano, para desarticular uma quadrilha que explora o transporte de vans na Ilha do Governador e detém ligações com o tráfico de drogas.

Entre os 22 mandados de prisão preventiva deferidos pela Justiça, estão o do traficante Fernando Gomes Freitas, vulgo Fernandinho Guarabu, e o do ex-policial Antonio Eugênio de Souza Freitas, vulgo Batoré. A ação tem o apoio operacional da Polícia Civil.

De acordo com a denúncia apresentada pelo GAECO, as investigações comprovam a expansão de negócios do tráfico de drogas na Ilha do Governador. Os criminosos arrecadaram cerca de R$ 27 milhões nos últimos três anos em extorsões feitas aos motoristas que atuam no transporte alternativo. Entre as práticas de terror adotadas para forçar o pagamento de taxas, em torno de R$ 350 por semana por veículos, estão a utilização de armas, ameaças de morte, incêndio e sequestro dos veículos para o interior da favela do Dendê. Na maioria das vezes, a coleta ocorria nos pontos finais. Em alguns casos, cobradores eram colocados dentro das vans para recolhimento direto das taxas.

Ainda segundo a denúncia, Guarabu delegou ao ex-policial militar conhecido como Batoré a gerência do núcleo dedicado à extorsão semanal de motoristas de vans e kombis das 13 linhas que circulam internamente na região. Batoré foi expulso da Polícia Militar após condenado em 2005 pela venda de três armas de fogo à quadrilha liderada pelo traficante Fernandinho Guarabu. A investigação da SSINTE comprovou que ele foi responsável pelo incêndio de uma Kombi em frente ao Ilha Plaza no dia 18 de agosto de 2014 como forma de intimidação. Outra frente do grupo era a exploração das linhas oriundas do Centro da cidade (Zumbi/Candelária e Bananal/Castelo), gerenciada por Carlos Alberto Cambraia Junior, vulgo Metal, que morreu em uma troca de tiros no dia 17 de janeiro.

No período em que a investigação foi iniciada, em 2014, o transporte alternativo funcionava por meio de cooperativas de transporte usadas pelos criminosos para dissimularem as extorsões. A partir do decreto municipal, que estabeleceu o Sistema de Transporte Público Local e a posterior licitação das linhas de transporte, foi possível melhorar o controle do sistema de transportes, com autorizações concedidas a cada motorista individualmente, independentemente de vinculação a qualquer cooperativa.

Ao longo de 2014 até outubro de 2015, o grupo de Batoré utilizava a Cooperativa Shalon Fiel como fachada para justificar a cobrança dos valores extorquidos dos motoristas, cerca de 500 cooperados. A continuidade da prática foi constatada mesmo após a dissolução da cooperativa, a partir de novembro daquele ano, após apreensão de diversos documentos pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (DRACO/IE) em operação realizada àquela época.

Nesta ação, Batoré foi denunciado pelos crimes de organização criminosa, extorsão, lavagem de dinheiro, incêndio e falsidade ideológica. Ao todo foram 22 denunciados pelo GAECO-MPRJ. Os crimes variam de tráfico e associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e extorsão. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão. O MP requereu à Justiça o sequestro de bens e o bloqueio de contas dos acusados.

 

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