Johnson nega atraso em ‘Brexit’ após revés na Justiça

O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Boris Johnson, afirmou nesta sexta-feira (4) que a decisão da Alta Corte de Justiça da Inglaterra de dar ao Parlamento o poder sobre a saída do país da União Europeia não atrasará a chamada “Brexit”.

Participando de um encontro com seu homólogo alemão, Frank-Walter Steinmeier, em Berlim, Johnson disse confiar que a sentença do tribunal não irá interferir no processo de rompimento entre Londres e Bruxelas.

“É muito importante compreender que essa é uma fase de processo legal e que o governo recorrerá daquela sentença. É muito importante reconhecer que o povo britânico votou por deixar a União Europeia”, declarou o ministro.

A decisão da Alta Corte contrariou o gabinete da premier Theresa May, que questiona a necessidade de passar a “Brexit” pelo Parlamento, já que a saída da UE foi aprovada em referendo popular. No entanto, o tribunal determinou que o Congresso é “soberano” neste caso.

Como disse Johnson, o governo recorrerá da sentença, e a palavra final ficará com a Suprema Corte do Reino Unido. A ação foi apresentada pela empreendedora e ativista pró-Europa Gina Miller, que afirma estar sofrendo ameaças de morte e estupro por parte de eurocéticos.

As denúncias de Miller levaram o marido de Jo Cox, deputada assassinada poucos dias antes do referendo de 23 de junho, a escrever no Twitter que “incitar o ódio provoca consequências”.

Cox fazia campanha ativamente pela permanência do país na UE. A decisão da Alta Corte da Inglaterra também pode causar outras implicações. A líder da Escócia, Nicola Sturgeon, afirmou que estuda tomar parte na batalha legal ao lado de Miller contra o governo de Theresa May. Entre os escoceses, os europeístas venceram o referendo por ampla maioria, reacendendo o debate sobre uma nova consulta independentista no território.

Em meio às preocupações causadas pelos desdobramentos jurídicos da “Brexit”, a primeira-ministra telefonou à chanceler da Alemanha, Angela Merkel, para lhe assegurar que os prazos para o rompimento entre Londres e Bruxelas serão respeitados. Além disso, May disse estar convencida de que vencerá o julgamento de apelação na Suprema Corte, que deve ocorrer em dezembro.

ANSA

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