Libertadores – Minha paixão!

Transcrevo abaixo a viagem de um ex aluno de curso de pós graduação, que foi “cobrir” a decisão da Copa Libertadores da América 2017. Lucho Silveira é formado em Educação Física, pós graduando em Administração e Marketing e Jornalista por paixão:

Eu sei que a UEFA Champions League é a maior competição de clubes do planeta. Maior inclusive que o Mundial Interclubes! Mas e daí? Maior ou menor, não importa! Futebol “também” é feito de paixão, de orgulho, de sentimento e de coração…

Com todos esses elementos bem presentes, dois amigos e eu arrumamos as malas e partimos para conquistar a América!

Desde que iniciei a carreira de repórter esportivo, no ano 2000, fui me acostumando a grandes jogos, a viagens, ambientes hostis e tudo que cerca nossa Libertadores de América.

Mas confesso que essa cobertura foi diferente, bem diferente do que vivi em 2007 quando o mesmo Grêmio encarou o Boca Juniors, ou quando o Internacional derrotou o São Paulo em 2006, erguendo a taça pela primeira vez.

Fui levado por um sentimento de liberdade, de aventura e de paixão!

Estar com o Grêmio na final da Libertadores novamente na Argentina (agora para pegar o Lanús) era a maturidade profissional chegando. Hoje estou longe dos grandes centros, longe das grandes corporações e, por tudo isso, essa “trip” além de trabalho, também foi uma diversão.

A viagem começou quando deixamos Porto Alegre no início da tarde da segunda-feira, já na semana do jogo final. No entardecer estávamos em Jaguarão, na zona sul do estado do Rio Grande do Sul e divisa com o Uruguai.

Mas onde entra o Uruguai nessa história? Optamos fazer um caminho alternativo, porém mais seguro e confiável para chegarmos à capital argentina.

Nosso trecho em território brasileiro estava chegando ao seu final e, depois de uma rápida passagens por free shops da cidade uruguaia de Rio Branco, avançamos pelo Pampa Oriental.

Estradas largas, muito bem sinalizadas e em ótimo estado de conservação foi o que encontramos. Avançamos até o final de nossas forças pelo país vizinho.

Por volta das 23h os sinais de que deveríamos parar… Fome, sede, cansaço e um pouco de sono.

Paramos e fomos nos deliciar com uma “milanesa com papas”, prato típico dos uruguaios que agrada demais nossos paladares aqui no Sul.

Algumas cervejas foram consumidas e estávamos prontos para um merecido descanso!

Até aqui íamos bem na nossa programação, mas chegava o primeiro teste. Não tínhamos um hotel reservado para a cidade da nossa parada, Minas.

Fomos procurar e quase não achamos pelo horário, perto da 1h da madrugada, e os preços eram “salgados” também. Mas era preciso descansar e assim fizemos pagando um pouco mais do que tínhamos projetado.

Nas primeiras horas da terça-feira o bom e velho companheiro, um mate bem “pegado”, nos ajudou a despertar. Tomamos a autopista mais uma fez.

O destino final no Uruguai era a cidade de Colônia de Sacramento, às margens do Rio da Prata e onde tomaríamos um Buque Bus, um grande barco que faz a travessia do Rio da Prata levando milhares de pessoas de um país ao outro. Os tickets já estavam comprados (programação bem feita) em cerca de 2h de uma viagem segura e extremamente confortável começamos a sentir o clima de decisão.

No Buque Bus encontramos os primeiros torcedores do Grêmio, mais gaúchos que optaram pelo conforto e segurança das estradas uruguaias.

Ali, nas águas turvas do Rio da Prata, a “hinchada” tricolor começava a invasão de Buenos Aires.

Chegamos à capital portenha nas primeiras horas da tarde da terça-feira, véspera da decisão.

Calor, muito calor! Tomamos um táxi em direção ao Centro, mais precisamente para os arredores do Congresso Nacional.

Uma zona antiga, porém muito tradicional. Os argentinos valorizam muito o histórico, apreciam e cuidam dos seus prédios antigos, cafés tradicionais e restaurantes onde você pode dar um “mergulho” na cultura argentina.

Optamos por almoçar em um desses restaurantes que mencionei acima. Uma delícia de milanesa mais uma vez! Sempre uma ótima pedida e irresistível.

Era chegada a hora de trabalhar mais um pouco. Durante toda a viagem eu fui reportando, ao vivo, na Rádio Uirapuru de Passo Fundo, tudo aquilo que estávamos vivenciando.

Os lugares, os preços, o sentimento… Tudo também por mídias mais recentes como o Facebook e Twitter, além do “ao vivo” na emissora.

Peguei um táxi e fui até o bairro do Retiro onde estava o hotel/concentração gremista.

Dei sorte, os jogadores estavam descendo de seus apartamentos e se encaminhando para o ônibus que os levaria até a cidade de Lanús, na zona Sul da capital, onde fariam o único treino em terras argentinas antes da final da Libertadores.

Não foi possível entrevistar os jogadores (não é permitido na verdade), mas deu para captar a empolgação do torcedor que saudava um a um dos seus ídolos em um imenso corredor de carinho e animação.

Missão cumprida (ou em parte), saí pelo centro para “sentir” o clima da cidade com relação à final.

Não senti nada! O Lanús não é um time grande e por isso sua torcida fica mais concentrada mesmo na cidade de Lanús, cerca de 30min (dependendo do trânsito) no sentido Sul da capital.

Fotos, vídeos e algumas entrevistas e eu estava liberado na terça-feira. Podia descansar e projetar a super quarta-feira que estava se aproximando.  

Reencontrei meus parceiros de viagem para uma janta e partimos para o descanso.

QUARTA-FEIRA, 22 de NOVEMBRO de 2017! Chegou o dia da final.

Despertei cedo e já fui para as ruas. Uma caminhada pela mais famosa avenida de Buenos Aires, a 9 de Julho.

Jornais comprados, muitos gremistas espalhados por cafés, bares… Não tinha uma esquina da região central em que você não encontrasse um otimista torcedor do Grêmio perambulando, tentando se distrair, fazer as horas passarem rápido. Ninguém mais aguentava a espera!

A organização do jogo foi feita pelos dois países. Policia, clubes, governos e torcidas foram acionadas previamente para que nenhum problema envolvendo a segurança manchasse a festa de quem quer que fosse.

O acordo firmado dizia que os torcedores do tricolor de Porto Alegre deveriam se concentrar na região do bairro de Puerto Madero, local extremamente turístico da capital argentina.

Por volta do meio-dia partimos para lá!

Já tínhamos os ingressos em mãos, o transfer também já tinha sido tratado e estávamos com nossa programação certinha.

Com tudo isso “arreglado”, pudemos desfrutar de um bom almoço, regado a cerveja nacional e assim vimos todo o contingente de torcedores aumentar minuto a minuto.

Demoramos para localizar nosso ônibus em um emaranhado de mais de 100 veículos e, quando finalmente tomamos assento, todo o cansaço, as dificuldades, o trabalho… Tudo ficou para trás!

Só o que não nos abandonou foi a tensão… Essa não tinha como passar, era final de Liberta, amigo!

Fomos escoltados pela policia metropolitana  e que, diga-se de passagem, fez um trabalho extraordinário na manutenção da ordem e da segurança de todos os torcedores que lá estiveram.

Lembram dos 30min de deslocamento que citei já pra vocês? Podem esquecer! Final de tarde, mais de 100 veículos, escolta… Levamos mais de hora para chegar a La Fortaleza, a casa do Lanús.

Os ônibus forma parando como era possível, uma, duas, três, quatro quadras do estádio.

Mais uma vez nota 10 para a polícia local que permitiu que transitássemos em direção ao palco do jogo em total segurança.

Passamos por duas barreiras para revista, fomos orientados para que ficássemos com o ingresso na mão para mais rápida identificação e contra o relógio corremos para o estádio.

Os hinos eram entoados e nós ainda estávamos do lado fora, óbvio que bateu o nervosismo e algumas “correrias” foram registradas. Mas nada que tirasse nossa expectativa para a decisão que estava começando.

Entramos, o jogo já estava rolando… O Grêmio era melhor e o resto vocês já sabem!!!

Festa gremista em pleno território argentino, o Tricolor de Porto Alegre era Tricampeão da Copa Libertadores da América.

Hora de abraçar os amigos, os desconhecidos, os torcedores! Ali na arquibancada todos somos iguais.

As comemorações avançaram a madrugada, era 3h e nós estávamos “bebemorando” o título de tricampeões na madruga abafada de Buenos Aires.

Alma lavada, esse era o sentimento! Viagem perfeita, amigos, futebol e festa pela conquista.

Na quinta-feira, ainda mal dormidos de tanto comemorar, tomamos o caminho de volta.

Táxi, Buque Bus, estradas uruguaias, zona sul do Rio grande do Sul… Um longo caminho de volta que pouco nos importava.

Estava celebrada ali a amizade, a paixão pelo futebol e ainda por cima o trabalho.

Sou um privilegiado, não tenho dúvidas disso! Escolhi o futebol como forma de viver, o futebol me deu a possibilidade de viver momentos como esse.

Até a próxima e que seja bem próxima…

 

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