Ligas universitárias desafiam atletas a conciliar esporte e vida acadêmica

Emprego, trabalhos de diferentes disciplinas, movimento estudantil, estágios e pesquisas acadêmicas estão entre as tarefas que sobrecarregam os universitários. Para conciliar tudo isso e se manter um atleta competitivo, estudantes vivem maratonas como a de Daniele Quinto, de 24 anos, que estagia de manhã, treina à tarde, estuda à noite e briga contra o relógio para fazer o trabalho de conclusão do curso de fisioterapia.

“Eu tenho bolsa que e trato isso como um incentivo. Eu tento aliar isso tudo o máximo possível, mas nesse último ano está sendo complicado”, conta a estudante da Universidade de Fortaleza (Unifor), que disputa o torneio de futsal nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs). “A gente não pode repetir as cadeiras e, ao mesmo tempo, tem que estar nos treinos, nos eventos e em tudo em que os atletas estão envolvidos.”

A atleta acredita que o esforço compensa porque considera o esporte sua prioridade. “Eu respiro esporte, desde criança. Estou fazendo o que eu gosto e, aliado a isso, estou me formando em uma profissão.”

Também do futsal, Amiraldo Junior, de 22 anos, ainda quer manter a dedicação aos estudos e aos esportes por um bom tempo. No último período de geografia, ele pretende seguir na academia para cursar mestrado e doutorado e não quer desistir do esporte.

“Se eu puder manter o ritmo, vou trabalhar e seguir com tudo junto”, conta o aluno da Universidade Federal do Amapá (Unifap). Com o dia atribulado, ele costuma treinar das 22h à meia-noite, rotina que ele considera pesada. “Para mim, primeiramente é a educação, e a partir disso conciliar com o esporte”.

Anfitrião dos Jogos Universitários Brasileiros de Cuiabá, o presidente da Federação Mato-Grossense de Esportes Universitários, Alexandre Bregunci, conta que o esporte muitas vezes tem dificuldades de disputar esse espaço na vida dos atletas universitários devido à falta de remuneração.

“Nessa idade de 16, 17 e 18 anos, o universitário está nessa transição de sair do colégio e, às vezes, ter que trabalhar. Considerando a realidade amadora do esporte, sem remuneração, muitas vezes eles acabam optando por abandonar os treinos”, diz.

A existência de um esporte universitário organizado, argumenta ele, serve de estímulo para que o estudante que vem se dedicando aos treinos não desista de se manter ativo. “Quando ele chega à universidade e identifica uma equipe de treinamento, acaba interagindo e até se animando com competições esportivas. Assim, ele aumenta sua vida útil esportiva.”

Para o secretário de Esportes de Mato Grosso, Pedro Luiz Sinohara, a presença dos jogos no estado ajuda jovens a descobrir a existência de uma liga universitária onde poderão manter a vida esportiva quando deixarem o ensino médio.

“Muitos garotos em idade escolar não sabem que existe o JUBs e acham que quando entra na universidade acaba a vida esportiva. Esse evento é estimulante para que o atleta não pare e se dedique cada vez mais.

Nomeado por Pedro Taques, Sinohara conheceu o atual governador nos tatames de judô da Escola Técnica Federal de Mato Grosso, hoje chamada de instituto federal. O secretário foi professor do governador e de outros secretários de sua administração, incluindo o primo Paulo Taques, secretário de Casa Civil.

“Dá para fazer até uma competição interna, porque tem todas as categorias de peso”, brinca o secretário, que, após o JUBs, espera levar os Jogos Escolares da Juventude para o estado.

Agência Brasil

 

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