“Luas de Há Muito Sóis” está no Centro Cultural Banco do Brasil até 04 de dezembro

Foto divulgação

Habitado no universo do encantado, “Luas de Há Muito Sóis” teve sua temporada prorrogada e fica até 4 de dezembro no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Encenado por Marina Duarte, Natascha Falcão e Priscila Danny, o espetáculo, resultado de uma residência artística feita em em Fafe Cidade das Artes (Portugal) com o diretor Moncho Rodriguez, que assina a peça, é livremente inspirado no conto “As três irmãs”, do escritor moçambicano Mia Couto.

A peça faz uso de uma linguagem poética, mas não recitada, e máscaras, para abordar a mulher em um arquétipo triplo, moça, mulher e velha, metaforizado pelas fases da lua. Evelina, Flornela e Gilda: crescente, cheia e minguante. Filhas do viúvo Rosaldo, as três crescem isoladas do mundo como propriedades exclusivas do pai. Entretanto, tudo se desestrutura com a chegada de um jovem forasteiro. O conto se transforma na jornada de três velhas irmãs que viajam num espaço­-tempo encantado à procura das portas do mundo, uma busca que empreendem por si mesmas e por um destino mais amoroso. “Três mulheres, três vultos de aves velhas, três agouros, três desejos, três irmãs juntas e desencontradas, o espetáculo é um mergulho, com final surpreendente, nas profundezas e imaginários fantásticos do universo feminino”, explica Moncho Rodriguez.

O espetáculo da Cia Nina foi apresentado pela primeira vez no Festival 22º Janeiro de Grandes Espetáculos, em Recife (PE), em janeiro de 2016. Na ocasião, “Luas de Há Muito Sóis” recebeu sete indicações ao Prêmio Apacepe de Teatro: Melhor Espetáculo Adulto, Melhor Diretor, Melhor Trilha Sonora, Melhor Atriz (Marina Duarte), Melhor Figurino, Melhor Iluminação e Melhor Atriz Coadjuvante para Natascha Falcão, que venceu em sua categoria.

Cuidado em cada detalhe

Usando referências das Pinturas Negras de Goya, o cenário de “Luas de Há Muito Sóis” é completado pelo figurino, também criado pelo diretor Moncho Rodriguez, que constrói uma imagem de noivas saídas do apocalipse. Entrelaçadas, as personagens se misturam nas roupas e nos tecidos, usando vestidos volumosos que se prolongam pelo espaço, criam ambientes e são misturas de diferentes tramas, peles e desejos.

O espetáculo ainda traz máscaras feitas de meia e de linhas, costuradas à mão sobre o rosto das atrizes, que contribuem para a visão decrépita dessas senhoras saídas do oco do deserto do vazio, lugar onde ainda não existe mundo.

Panelas e cestos compõem os objetos de cena, simbologia do dia a dia que delimitam os universos secretos e pessoais de cada personagem. “A ideia é que o espectador se reconheça em cada ação, em cada objeto, na cumplicidade com as nossas figuras, e que possa fazer parte desse mundo secreto como se seu fosse”, explica o diretor.

A trilha sonora foi criada por Narciso Fernandes simultaneamente à construção das personagens e de cada cena, composta como uma partitura dos gestos e das intenções.

É preciso sonhar; e agir

A ideia do espetáculo surgiu há 4 anos, quando Marina Duarte e Natascha Falcão já trabalhavam juntas e, nesta época, também dividiam a moradia no Recife. Elas estudavam Mia Couto quando Marina, como uma brincadeira de advinhação, comentou com a amiga: “Tem um conto aqui que acho que dá uma peça. Veja se tu adivinha “. Natascha insistiu até que Marina dissesse “As três irmãs”. Elas pensaram em montar com um diretor do Brasil, mas não aconteceu.

Natascha veio para o Rio em 2013 e em 2015 Marina também chegou em terras cariocas. “Megalomaníacas que somos este desejo foi crescendo e pensamos que era a cara de Moncho Rodriguez”, conta Natascha Falcão, que já havia trabalhado com o diretor. As atrizes enviaram o conto para o espanhol, que tem residência em Portugal. Pergutaram se ele tinha planos de vir ao Brasil. Não tinha. “Mas Moncho nos disse: ‘Vou vos dar um presente. Venham para Fafe fazer uma residência comigo que monto o espetáculo com vocês'”.

Foi assim, trazendo a fantasia para a realidade, que nasceu “Luas de Há Muito Sóis”, montagem que foi recebida com um abraço carinhoso por Mia Couto, em recente encontro entre a Cia Nina e o moçambicano no Rio de Janeiro: “Saber que esse texto inspirou um grupo de teatro no Brasil é para mim um grande prêmio. Haver arte que realmente nos liga – a nós que proclamamos tanto da nossa familiaridade cultural e linguistica – é algo que merece a pena acarinhar. Porque estamos a cuidar de uma ponte que há muito tempo a História já foi tecendo. Saúdo a Cia Nina pela projeto. E faço votos para que tenham o sucesso que a sua criatividade faz certamente merecer”.

Serviço

Temporada: Até 4 de dezembro de 2016
Horários: De quinta a domingo, às 20h
Ingresso: R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (funcionários e clientes do BB, estudante, sênior acima de 60 anos, professor, PNE e usuários dos convênios Cartão Metrô recarregável, SESC, clube de assinantes O Globo, PUC e Clasp, mediante apresentação de documento comprobatório).
Bilheteria: de quarta a segunda, de 9h às 21h
Vendas online: www.ingressorapido.com.br
Duração: 60min
Capacidade: 155 lugares / 3 espaços para cadeiras de portadores de necessidades especiais.
Classificação indicativa: 14 anos
Local: CCBB RJ – Teatro II (Rua Primeiro de Março, 66 – Centro. (21) 3808-2020 /ccbbrio@bb.com.br).

 

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