Mais da metade dos cariocas acreditam que podem sofrer violência policial

Foto: Ilustração- Tânia Rêgo/Agência Brasil

Uma pesquisa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes mediu a relação das pessoas com a polícia e, apesar 37,6% terem respondido que já foram bem atendidos por policiais, 55% afirmaram acreditar que é provável ou muito provável que se tornem vítimas de violência policial. Os dados foram divulgados hoje (5) e fazem parte de um estudo que ouviu moradores da cidade do Rio de Janeiro sobre criminalidade, direitos humanos, impunidade e outros temas. O estudo se refere ao termo “polícia” de modo geral, sem especificar se é civil, militar ou federal.

Entre os homens, 66,4% disseram considerar provável ou muito provável sofrer violência policial, percentual que cai para 47,4% entre as mulheres. O temor chega a 62,6% quando se trata de pretos e pardos e cai para 51,5% no caso dos brancos.

Sofrer violência policial é provável na crença de 59% dos moradores de favela e de 53,4% dos que não moram nestas comunidades.

Ao responderem ao questionário, 39% dos entrevistados também declararam ter medo de serem confundidos com bandidos pela polícia. Os grupos em que essa resposta foi mais frequente foram homens, pretos e pardos, jovens de 18 a 34 anos e moradores de favelas.

Os pesquisadores ouviram 2.353 pessoas com ao menos 16 anos, em pontos de fluxo do município do Rio de Janeiro. O questionário, com mais de 40 perguntas, foi aplicado entre março e abril de 2016.

A pesquisa indagou ainda quem já havia sido desrespeitado, e 18,1% relataram essa experiência. Segundo as respostas, 9,4% já foram extorquidos, 4,6%, agredidos, e 6,6% ameaçados.

Os entrevistados revelaram ainda um cenário de desconfiança nas polícias e na justiça ao atribuírem uma nota à confiança que têm nestes órgãos. A Polícia Civil recebeu média 5,8; a Polícia Militar, 4,9; e a Justiça, 3,5.

A pesquisadora Julita Lemgruber considera que a baixa avaliação da Justiça está ligada a percepção de impunidade na sociedade.

“A ideia generalizada de que a polícia prende e a Justiça solta tem contaminado a percepção sobre o sistema de justiça criminal.”

Outras perguntas da pesquisa revelam que 70% dos entrevistados discordam que a criminalidade se resolveria se a polícia tivesse carta branca para matar. Para 62%, a polícia do Rio de Janeiro mata demais, e 75% consideram que ela é mais violenta nas favelas. Na opinião de 66%, a polícia é mais violenta contra pretos.

Para 64% dos entrevistados, é baixa ou muito baixa a chance de um criminoso ser punido pela Justiça, e, para 69%, a polícia não sabe distinguir “trabalhador de bandido.”

Para o pesquisador Ignacio Cano, os dados mostram uma descrença nos critérios técnicos da polícia.

“Quando falam de uma polícia despreparada, a gente interpreta que as pessoas querem dizer que a polícia não sabe contra quem está atuando”.

Agência Brasil

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