“Martírio dos Ratos” no Centro Cultural da Justiça Federal

Foto: Thaís Duarte

O PORTÔ – Coletivo de Arte apresenta, no Centro Cultural Justiça Federal, o drama “Martírio dos Ratos”, com sessões quartas e quintas sempre às 19h. Escrito nos anos 70, no auge da ditadura militar no Brasil, e censurado em seguida, a montagem, discute, através de metáforas, o desespero do homem diante o seu aprisionamento e as consequências drásticas, de caráter e valores, ocasionadas pela privação de liberdade.

A tomada do poder pelos ratos, que emergem dos bueiros à superfície da terra, e a luta pela sobrevivência dos dois últimos humanos vivos, subjugados, trancafiados em uma lixeira e duelando entre si e consigo mesmos, guiam a narrativa do autor, Iremar Brito, que trouxe para o seu texto a vivência de um período da história marcado pela repressão e tortura.

“Quando escrevi O Martírio dos Ratos estava concluindo o curso de Direção Teatral na Escola de Teatro da FEFIERJ (hoje, UNIRIO), em 1974. Esse texto surgiu numa época em que a arte brasileira era dominada pela censura da ditadura. Assim, os textos teatrais, especificamente, buscavam diferentes caminhos para discutir suas ideias e fugir da proibição. Um desses caminhos foi à intensificação das metáforas como elementos da narrativa”, afirma Iremar Brito, dramaturgo e autor, dentre outras obras, de “Com a faca na alma e outros dramas”, livro que reúne onze peças teatrais publicadas por ele, incluindo “Martírio dos Ratos”. Perseguido e preso durante o regime militar, Brito possui uma produção dramatúrgica e literária singular, provocativa.

Com uma encenação apoiada no teatro físico, Wanderson Rosceno e Luan de Almeida assinam a direção do espetáculo e dão vida aos personagens Ney e Ray – aprisionados pelos ratos numa lixeira de onde precisam desesperadamente se libertar.

A trilha sonora dirigida por Fernando Katullo, é inspirada nos experimentos e conceitos desenvolvidos na década de 50, pelos compositores John Cage, Pierre Schaeffer e Pierre Boulez, acerca do silêncio e do ruído, a música concreta e a música aleatória. O cenário de, Renê Salazar, traz no teto, um redemoinho de lixo, espiralado como uma cadeia de DNA, que submete as abjetas criaturas a uma condição inelutável de detrito, em cuja intimidade a sujeira esta impressa. No solo, uma lixeira funciona como a casa-abrigo de um mundo corrompido por ratos e seres humanos entrelaçados em uma rede de colaboração sórdida.

“Martírio dos Ratos”, idealizado em março de 2014, a partir da criação de um Núcleo de Pesquisa da Fisicalidade do Ator, teve sua montagem viabilizada pelo Programa de Fomento às Artes da Prefeitura do Rio de Janeiro 2016, sendo parte do seu processo de construção realizado no formato work in progress nas arenas cariocas e na UNIRIO. Agora, faz sua temporada de estreia nos palcos cariocas.

SINOPSE

Martírio dos Ratos é uma das onze peças teatrais publicadas no livro “Com a faca na alma e outros dramas”, do autor Iremar Brito. Escrita nos anos 70, censurada na ditadura militar, revela uma guerra instaurada entre homens e ratos. Derrotados e subjugados, os homens passam a viver em lixeiras. O encontro de Ney e Ray revela o desespero do aprisionamento e as consequências trágicas da falta de liberdade

Serviço

Martírio dos Ratos

Gênero: drama

Temporada: 16 de março a 04 de maio, quartas e quintas, às 19h

Local: Centro Cultural da Justiça Federal – CCJF –

Endereço: Av. Rio Branco, 241 – Centro, Rio de Janeiro

Duração: 80min
Ingresso: Inteira R$ 20,00 | Meia R$ 10,00

Capacidade: 141 lugares

Faixa etária: 16 anos

Ficha Técnica

Texto: Iremar Brito

Direção e atuação: Wanderson Rosceno e Luan de Almeida\

Direção musical: Fernando Katullo

Direção de movimento: Rodrigo Gondim

Cenário: Renê Salazar

Figurino: Júlia Reis

Iluminação: Rommel Equer

Preparação corporal: Jhonny Erik

Vídeo e Fotografia: Thais Duarte e Taisa Martins

Programação visual: Leonardo Miranda

Produção: Anderson Pereira

Realização: PORTÔ – Coletivo de Arte

Assessoria de imprensa: Lyvia Rodrigues\ Aquela que Divulga

Foto: Thais Duarte e Taisa Martins.

PORTÔ Coletivo de Arte

PORTÔ teve sua origem a partir do encontro de artistas com formação na Escola de Teatro Martins Penna, nos cursos de Artes Cênicas da UNIRIO e no Circo Crescer e Viver. O coletivo pesquisa no teatro, na dança e no circo, a expressividade, a poesia e o desafio do corpo. O Centro Cultural Justiça Federal será o palco de estreia do PORTÔ, com a apresentação de duas montagens inéditas: O Infantil Tagarelando, projeto de contação de histórias, que há mais de quatro anos vem se aperfeiçoando nas escolas infantis, agora estreia no formato espetáculo. E o adulto “Martírio dos Ratos”, idealizado em março de 2014, a partir da criação de um Núcleo de Pesquisa da Fisicalidade do Ator e teve sua montagem viabilizada pelo Programa de Fomento às Artes da Prefeitura do Rio de Janeiro 2016, sendo parte do seu processo de construção realizado no formato work in progress nas arenas cariocas e na UNIRIO. Surge assim PORTÔ, coletivo de arte focado no desenvolvimento de uma disciplina teatral cujo principal elemento cênico é o corpo em movimento. Integrantes: Wanderson Rosceno, Luan de Almeida, Rodrigo Gondim, Bárbara Abi-Rihan, Fábio Lacerda e Anderson Pereira.

IREMAR BRITO – autor

Dramaturgo, Doutor em Letras pela UFF, com a Tese “O Anitrião Viajante do tempo”, um estudo comparado sobre estruturas do humor no Teatro Ocidental. Professor Adjunto de Literatura Portuguesa do Instituto de Letras da UERJ. Diretor teatral, formado pela Escola de Teatro da UNIRIO, onde é Professor Adjunto do Departamento de Interpretação. Em 2003 publicou o livro “Com a faca na alma e outros dramas”, com onze textos teatrais. Algumas dessas peças já foram montadas em teatros do Rio de Janeiro, Bahia Espírito Santo e Santa Catarina (“O encontro perdido”, “A culpa da chuva”, “A máquina amarela”, “Arqueólogos do futuro”, “O caçador de pombos”, “Com a faca na alma”). Outras peças teatrais de sua autoria apresentadas em diversos palcos do Rio de Janeiro estão “Jezebel”, “Na boca do Besouro”,“Uma vez Crápula, sempre Crápula”, “O banquete dos abutres”, “A janela mágica”, “O guerreiro de prata”, “Aldeia dos pássaros” e “Passagem das horas”. Autor do romance infantojuvenil “Aldeia dos Pássaros”, publicado pela Editora Agir e inspirado em sua peça homônima. Autor do romance “O mistério de Amadis”, ainda inédito, que faz parte de sua Dissertação de Mestrado (UFF). Autor de vários artigos acadêmicos sobre a relação entre o teatro e o jogo.

WANDERSON ROSCENO – Ator e diretor

Ator formado pela Escola Técnica de Teatro Martins Pena. Licenciando em Ensino do Teatro pela UNIRIO, onde desenvolve uma pesquisa de conclusão de curso em teatro físico. É palhaço integrante da Enfermaria do Riso, programa de palhaço em hospitais. Atualmente está atuando nos espetáculos “Martírio dos Ratos”, de Iremar Brito, onde atua e dirige junto com Luan de Almeida, “Palavra de Palhaço” direção: Ana Achcar, e com o infantil “Tagarelando” no qual é autor e diretor. Integrou o elenco de AMOK TEATRO, atuando no último espetáculo da trilogia da guerra: “História de família”. É fundador do Coletivo de arte Portô. Atuou também nos espetáculos: “A vida é Sonho”, de Calderón de La Barca, Direção: de Marcos Henrique Rego. “Noites Brancas” de Dostoiévski, direção: Rogério Rasées.”Rasga Coração”, de Vianinha – Direção coletiva. Dirigiu e atuou em “Boca de Ouro”, de Nelson Rodrigues, e dirigiu os infantis “O Brilhante Mágico” ; “ZIG-ZAG- ZUM”; e os esquetes premiados, “Nanã” de Patativa do Assaré e “Bilhete da Sorte” de Anton Tchekhov. Atualmente, dirige o espetáculo “Vermelho amargo” de Bartolomeu Campos de Queirós com estreia prevista para o primeiro semestre de 2017.

LUAN DE ALMEIDA – Ator e diretor

Ator, formado pela Escola de Teatro Martins Pena. Atualmente no último período de Licenciatura em Teatro pela Unirio. Na universidade participou dos Projetos Teatro Renascer (2012); PIBID (2012) e Teatro na Prisão (2012-2016); Já ministrou aulas de teatro no junto aos Jovens Agentes do Patrimônio do CRPH, no museu do São Bento, em Duque de Caxias (2013-2014). Como ator, já esteve nas peças teatrais “O cordão dos Cascas Grossas” (2010), direção de Mônica Lazar; “O que fazem as meninas quando desabrocham?”

 

 

Joias Nativas

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