Matheus Nachtergaele sobe a Serra para apresentação da peça Processo de Conscerto do Desejo onde faz homenagem à mãe

Foto: Sergio Cubas

O ator Matheus Nachtergaele, destaque na recente co-produção entre Brasil e Argentina, “Zama”, que concorre a Melhor filme no Festival de Veneza, estará em Petrópolis no próximo sábado (09), para uma única apresentação do espetáculo “Processo de Conscerto do Desejo”, que homenageia a sua mãe Maria Cecília Nachtergaele, através de poemas escritos por ela e canções que gostava de ouvir.

No palco, ao lado dos músicos Luã Belik no violão e Henrique Rohrmann, no violino, tudo toma forma. De acordo com Nachtergaele, filho da poeta, o espetáculo é um recital a moda grega, um lamento iluminado. Com os versos, o concerto vai traçando conexões com o sentido da vida, com verdade, força e sinceridade.

O trabalho é fruto do caderno de poesias da mãe, recebido por Matheus como um presente do pai, aos 16 anos. Os textos de Maria Cecília ganharam o palco antes mesmo da publicação em livro (em 2016, A Mariposa, de Maria Cecília Nachtergaele, foi lançada pela Polvilho Edições no Sesc Paraty. “O teatro é lugar da cerimônia, é o meu lugar. Fiz o meu festejo fúnebre e a minha celebração como num ritual japonês colorido”, diz o ator.

Moldando o afeto, a dor, a beleza e tantos sentimentos, Processo de Conscerto do Desejo faz com que a presença de Maria Cecília seja transformadora e tocante. “Não sou nada místico, mas é um pequeno milagre porque ela vive todas as noites, ao meu modo. É uma experiência que transformou o meu pesar e me mostrou a beleza de ser quem sou, apesar de não ter conhecido essa grande mãe. Faço esse espetáculo com uma imensa alegria”, conta.

Processo de Conscerto do Desejo – Por Matheus Nachtergaele
Poucas palavras se confundem tanto em nossa língua quanto ‘concerto’ e ‘conserto’. Aqui, elas se mesclam vertiginosamente. A palavra desejo, em filosofia, seria a tensão em direção a um fim de onde se espera satisfação. Tradicionalmente o desejo pressupõe carência, ou alguma forma de indigência: Um ser que não carecesse de nada, não desejaria nada. Seria um ser perfeito, um Deus. Por isso a filosofia, tantas vezes, considera o desejo como característica primeira do ser imperfeito, do ser finito. Quero consertar meu desejo com poesia, num concerto. Explico: minha mãe, a poeta Maria Cecília Nachtergaele, faleceu quando eu era um bebê de três meses. Dela, me restaram seus poemas, lindos e maduros, escritos de uma jovem mulher moderna e triste, e essa veia que me marca a testa quando rio ou choro muito. Em Processo de Conscerto do Desejo, acompanhado pelo jovem violonista Luã Belik e do violinista Henrique Rohrmann , direi finalmente os poemas que guardei nos olhos e na alma como única herança dela. O espetáculo é simples assim: Um homem (que por acaso é um ator) diz no palco as palavras escritas por sua mãe. Um violão (não por acaso, pois Maria Cecília amava os violões) o acompanha. É só isso, se isso for pouco.

Matheus Nachtergaele
Matheus Nachtergaele é um ator e diretor brasileiro com intensa atuação no teatro, cinema e televisão. Iniciou sua carreira teatral com o cultuado diretor paulista Antunes Filho, em 1989. No ano seguinte, ingressou na Escola de Arte Dramática (USP-SP), e logo estreou nos palcos profissionalmente.

Com o Teatro da Vertigem o grupo, fundado em 1992 e dirigido por Antônio Araújo, protagonizou os espetáculos Paraíso Perdido e O Livro de Jó, recebendo por estas atuações prêmios de melhor ator, entre eles os prêmios Shell, Mambembe e APCA. Em seguida, atuou nos espetáculos Da Gaivota, Woyzeck, o Brasileiro e A Controvérsia, todos premiados e bem recebidos pelo público e pela crítica especializada.

Nos cinemas, estreou sob a direção de Bruno Barreto, em 1997, com o filme O que é isso, Companheiro?. Desde então, Matheus atuou em cerca de trinta filmes de longa-metragem, como Central do Brasil e O Primeiro Dia, de Walter Salles Jr, O Auto da Compadecida e O Bem Amado, de Guel Arraes, Cidade de Deus, de Fernando Meirelles e Amarelo Manga, Baixio das Bestas e Febre do Rato, de Claudio Assis. Por estes e outros trabalhos recebeu inúmeros prêmios como ator, incluindo APCAs, dois Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e outros muitos em Festivais de Cinema, como o Cine PE, Cine Ceará, e Festival do Rio.

Fez sua estreia cinematográfica em 2008, como roteirista e diretor do longa-metragem A Festa da Menina Morta, exibido na mostra UnCertainRègard, na Seleção Oficial do Festival de Cannes. O filme recebeu diversos prêmios em várias categorias em festivais de cinema no Brasil e no exterior. E no conceituado Festival de Chicago, no Festival de Cinema de Gramado e no Festival do Rio, Matheus Nachtergaele recebeu o prêmio de Melhor Diretor.

Na televisão atua continuamente em produções da Rede Globo de Televisão. Nesta seara, destacam-se trabalhos como Hilda Furacão, Os Maias, Decamerão, Ó Paí, ó!, Da Cor do Pecado, América, Cordel Encantado e no remake de Saramandaia, estrelando como o ‘Seu Encolheu’.

Em 2014, foi convidado pelo grupo Entre & Vista para dirigir o espetáculo O País do Desejo do Coração, de Wiliam B. Yeats na cidade de Tiradentes. No cinema, lança o filme Trinta, com direção de Paulo Mackline. Com a estreia a Série Zé do Caixão no Canal Space, em seis episódios com direção de Vitor Mafra, em novembro de 2015, colheu elogios da crítica por sua interpretação como o cineasta José Mojica Marins.

Em 2015, foi premiado como Melhor Ator, no Festival de Cinema de Gramado, com o longa-metragem Big Jato. Também atuou em Mãe Só Há Uma (2014), da diretora Anna Muylaert. Protagonizou e foi premiado no curta Quando Parei de Me Preocupar com Canalhas, de Tiago Vieira. Também filmou em Buenos Aires (2015), com Lucrecia Martel, o longa-metragem Zama, que será lançado em 2017.

Matheus Nachtergaele poderá ser visto na televisão em trabalhos inéditos como Carcereiros e Filhos da Pátria. O ator acaba de filmar em Pernambuco Piedade, de Cláudio Assis, com roteiro de Hilton Lacerda, Ana Francisco e Dillner Gomes.

Ficha Técnica
Concepção e atuação: Matheus Nachtergaele. Textos: Maria Cecília Nachtergaele. Violão e arranjos: Luã Belik. Violino: Henrique Hohrmann Design Som: Andrea Zeni. Iluminação: Orlando Schaider. Contra Regra/Camareira: Cedeli Martinusso. Corpo: Natasha Mesquita. Voz: Célio Rentroya. Artes visuais: Cláudio Portugal e Karina Abicalil. Mídia Sociais: Rodrigo Pires. Assessoria Jurídica: Lilian Santiago (Coarte) Assessoria de Comunicação: Passarim Comunicação. Assessoria de Comunicação Local: Vitor Mattos. Produção Executiva: Valéria Luna e Sergio Maia. Direção de Produção: Miriam Juvino. Coordenação de Produção: A Gente se Fala Produções. Realização: Pássaro da Noite

SERVIÇO:
PROCESSO DE CONSCERTO DO DESEJO
Local: Theatro Dom Pedro – Praça dos Expedicionários, s/n – Centro – Petrópolis – RJ
Data: 9 de setembro de 2017
Horário: 20h
Ingressos: R$ 60,00/ R$ 30,00
Pontos de Venda: Bilheteria do Teatro – Tel: (24) 2235-3833
Ewiglich Joias – Rua 16 de Março, 106- Centro Histórico – Petrópolis – Tel 24 2237-5522

 

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