“Oito mulheres” estreia no Teatro Dulcina com ficha técnica composta essencialmente por mulheres

Foto divulgação

É véspera de Natal nos anos cinquenta. Oito mulheres, surpreendidas pela morte misteriosa do único homem da família, tentam conviver em uma mansão isolada por uma nevasca no interior da França. Essas mulheres – esposa, filhas, irmã, sogra, cunhada, governanta e camareira – sem poder sair da casa, iniciam uma investigação para desmascarar o assassinato. Todas são suspeitas até que se prove o contrário.

É em torno dessa trama que se desenvolve o espetáculo “Oito mulheres”, que estreia no próximo dia 12 de novembro, sábado, às 19h, no Teatro Dulcina, Centro do Rio de Janeiro, com temporada de quarta a sábado às 19h, e domingo às 18h, até 4 de dezembro. Ingressos: R$30 (inteira) / R$15 (meia).

O texto é do dramaturgo francês Robert Thomas e foi escrito entre os anos de 1958 e 1959. Encenada pela primeira vez em 1961, na França, a peça “Huit femmes”, título original, é uma comédia policial de três atos que foi adaptada duas vezes para o cinema, em 1960 e em 2002. No Brasil a peça foi encenada pela primeira vez no Rio de Janeiro, em 1962, no Teatro Dulcina, tendo a própria Dulcina de Moraes no elenco.

Na montagem atual quem assina a direção artística é a russa Elena Gaissionok. A direção respeita a estrutura linear do texto de Robert Thomas, mantendo-a igualmente organizada em três atos, com um intervalo após o fim do primeiro ato. A proposta foi evidenciar as relações que se estabelecem entre todas as personagens, no âmbito do núcleo familiar, e potencializar a humanidade complexa de cada uma das oito mulheres. O autor defende que as virtudes e defeitos andam de mãos dadas. Com cerca de 120 minutos, o espetáculo é concebido sob uma perspectiva realista, desenvolvida com base na técnica russa da Fala Cênica.

O que o público vai presenciar é um jogo horizontal no que diz respeito ao peso das personagens. De acordo com as produtoras e atrizes, Lorena Sá Ribeiro e Maria Stela Modena, o texto de Robert Thomas equilibra os conflitos e distribui a atenção do espectador em todos os momentos. O texto foi traduzido para o português pela própria Maria Stela, e supervisionado por Lorena. A horizontalidade na importância das personagens e a forma humana como o autor aborda a complexidade feminina foram fatores que influenciaram as sócias a levar o projeto adiante.

Para Lorena, apesar de toda a trama girar em torno da morte de um personagem masculino, as mulheres é que são as verdadeiras protagonistas. “Thomas discute o lugar do feminino em nossa sociedade por meio de uma abordagem não óbvia da condição da mulher. Todas têm um caráter humano e natural, sem estereótipos. É uma oportunidade concedida a oito atrizes de vivenciar, numa narrativa sem protagonistas, a composição de oito personagens singulares, bem construídas e desempenhando papéis com importância para a construção dramática da obra”.

Espaço somente para elas

À medida que o projeto foi crescendo, Lorena e Maria Stela viram-se escolhendo profissionais do sexo feminino para compor a ficha técnica. De acordo com elas, não houve uma preocupação inicial de defesa desse espaço baseado num discurso feminista, mas a própria identificação com o trabalho de outras profissionais foi o definidor.

“Não havíamos pensando inicialmente em fazer um trabalho só com mulheres, mas à medida que ele foi se desenvolvendo, nós nos questionamos a respeito da representatividade no projeto. Foi um processo espontâneo: depois que identificamos que era muito mais do que um desejo, nos comprometemos em defender uma ficha técnica feminina não somente na atuação, mas em direção, figurino, luz, arte e cenário. Todas são encantadoras e agregam muito valor à cena”, justifica Maria Stela.

Profissionais de peso foram convidadas a participar do projeto. Uma delas foi a ilustradora mineira Carol Rossetti. Responsável, com sua sócia Barbara Grossi, pela programação visual do espetáculo, é ela quem dá a “cara” às personagens da trama. Atualmente ela conta com mais de 250 mil seguidores no Instagram por publicar uma série de ilustrações defendendo o empoderamento feminino. Este ano, Carol lançou o livro “Mulheres”, resultado da reunião de todas essas ilustrações.

O figurino, que é assinado por Luiza Pannunzio, veste as personagens com o requinte e a sofisticação que representavam a burguesia francesa em fins dos anos 1950. Os tecidos empregados na confecção das peças são, em sua maior parte, tapeçarias. A proposta e que se estabeleça uma estreita relação entre as oito mulheres e o espaço por elas ocupado.

Já a cenografia, assinada por Pati Faedo, estrutura-se em painéis articulados, compostos de módulos que podem ser separados e, futuramente, reaproveitados em novas produções. O cenário é adaptável a diferentes palcos e espaços para a realização do espetáculo.

A iluminação, de Elisa Tandeta, foi concebida com vistas a criar, ora conciliando, ora opondo, as sensações de calor e acolhimento, atreladas à ideia de família, e as sensações de frio, frieza e opressão, ligadas à neve que abraça a casa. Com os efeitos de luz, ao mesmo tempo em que se pretende compor, nos momentos de harmonia, a atmosfera afável de uma casa de família na véspera do dia de Natal, deseja-se transportar personagens e público à rudez e à aspereza de uma sala de delegacia ou de tribunal, quando o conflito se instaura e prevalecem nas relações acusações e humilhações.

De acordo com as produtoras Lorena Sá Ribeiro e Maria Stela Modena, o projeto se configura como um “ajuntamento de ideias e corações”, pois todas que aceitaram o convite acreditaram e apostaram no projeto. “A função social do teatro é propor discussões e reflexões, e, dentre elas, questionar por que algumas maiorias são tratadas como minorias. A nossa proposta é não somente questionar, mas abrir um espaço concreto de ação. Não apenas falar sobre o universo feminino, mas defender um espaço que seja efetivamente seu”.

SERVIÇO

Estreia: 12 de novembro

Temporada: 12/11 a 4/12

Horário: quarta a sábado às 19h / domingo às 18h

Local: Teatro Dulcina – Rua Alcindo Guanabara, 17- Centro, Rio de Janeiro.

Duração: 120 minutos

Classificação: 14 anos

Lotação: 429 lugares

FICHA TÉCNICA

DIREÇÃO ARTÍSTICA: Elena Gaissionok

ELENCO: Angela Rechia, Aurea Sepulveda, Carla Andréa, Daidrê Thomas, Letícia Machado, Lorena Sá Ribeiro, Maria Stela Modena, Regina Gutman

DIREÇÃO CÊNICA: Lorena Sá Ribeiro e Maria Stela Modena

CENOGRAFIA: Pati Faedo

FIGURINO: Luiza Pannunzio

ILUMINAÇÃO: Elisa Tandeta

PROGRAMAÇÃO VISUAL: Barbara Grossi e Carol Rossetti

FOTOGRAFIA: Ariny Bianchi

ASSESSORIA DE IMPRENSA: Fabíola Buzim

PRODUÇÃO: Lorena Sá Ribeiro e Maria Stela Modena

ASSISTÊNCIA DE PRODUÇÃO: Ana Nascimento

REALIZAÇÃO: Charlotte Produções

 

 

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