Para onde caminha a humanidade?

A desigualdade social que provoca violência e revolta, segundo anunciado em Davos, apenas oito pessoas detém um capital equivalente à soma do que teria a metade da população mundial. Em meio à crise social e financeira que estamos vivendo, certamente essa questão agravará e os mais frágeis serão os mais violentados. Isso já ocorre com os aposentados, sempre os últimos a receberem seus proventos e com os mais pobres que pagam cada vez mais tributos para sobreviverem.

Ao que tudo indica, esse choque entre a democracia liberal e o capitalismo neoliberal trará ainda mais miséria para o mundo com a preocupação predominante dos governos com as finanças em detrimento do cuidado com o povo. O noticiário tem sido rico em violência contra as pessoas seja em países considerados civilizados, onde negros ainda são majoritariamente presos e assassinados, como na Europa, onde as nações que se serviram do colonialismo selvagem para o enriquecimento de seus tesouros, agora fecham as portas para imigrantes que fogem das guerras e do terrorismo, seja no Brasil onde os pobres têm sido vítimas de total ausência de cuidados na saúde e no respeito a seus direitos fundamentais.

As desigualdades continuam a crescer no planeta e tem alimentado rixas e lutas de caráter social, xenofóbica, racismo, ultranacionalismo, rivalidades étnicas e religiosas, homofobias e todas as formas de paixões mortais. Enquanto isso as razões para esses novos conflitos não estão visando a salvação do Planeta nem a recuperação dos valores básicos como a família, a comunidade, a partilha e as relações com amor e simplicidade. Agora as pessoas estão dando preferência a competição desenfreada por mais dinheiro e por mais bens de consumo.

As virtudes como o cuidado, a compaixão e a generosidade perderam espaço para a crença de que ganhar é a única coisa que importa e de que ganhar – por qualquer meio necessário – é a única coisa certa a se fazer. A noção de humanismo que surgiu com o iluminismo do sujeito racional capaz de deliberação e escolha está sendo substituído pela do consumidor que se vê despersonalizado pelo poder midiático capaz de conduzir as pessoas a acharem certo o que eles, os donos da comunicação acham certo e errado o que lhes interessa com fins de aumentar o consume e o lucro.

É preciso que aja uma urgente reação para promover as necessárias transformações para concretizar o mundo que sonhamos e para tanto é preciso investir numa profunda mudança de mentalidade em todos nós, homens e mulheres do século XXI. Temos consciência que o modelo político-econômico presente é o responsável por essas disparidades alimentadas pela ganância, pelo alto índice de corrupção e pelos interesses privados se sobrepondo ao bem comum.

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