Polícia vai usar helicópteros em busca por jovens desaparecidos há 14 dias em SP

O Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar (PM) de São Paulo fará buscas na região de Ribeirão Pires, na região metropolitana da capital, para tentar localizar cinco jovens que desapareceram no último dia 21 de outubro. O grupo ia de carro para uma festa na noite daquela sexta-feira e nunca mais foi visto. O veículo foi encontrado dias depois, mas não há sinal do que pode ter ocorrido aos rapazes, que tinham entre 16 e 30 anos.

“Estou determinando que o COE passe a atuar. É uma equipe especializada em buscas em mata fechada. E parte dessa área onde eles provavelmente estariam é uma área com mata bastante fechada”, anunciou o secretário estadual de Segurança Pública, Mágino Barbosa, após encontro com parentes das vítimas, com representantes do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) e com o ouvidor das Polícias do Estado de São Paulo, Júlio Fernandes Neves.

O secretário também anunciou que serão usados helicópteros nas operações para tentar localizar os desaparecidos.

Envolvimento de policiais

O caso é acompanhado pela Corregedoria da PM e pela Ouvidoria das Polícias devido a suspeitas do envolvimento de policiais no desaparecimento. Barbosa negou, no entanto, que existam até o momento evidências concretas de participação de agentes públicos. “Não há qualquer evidência na participação de policiais no desaparecimento desses rapazes”, enfatizou o secretário.

As suposições sobre o envolvimento de policiais decorrem, em parte, do fato de que pelo menos um dos jovens tinha histórico infracional. Robson de Paula, 17 anos, ficou, segundo o ouvidor Fernandes, paraplégico ao ser baleado pela polícia. Além disso, uma mensagem de áudio enviada por outro rapaz que estava no carro, Jonathan Moreira Ferreira, 18 anos, diz que o grupo teria sido abordado pela polícia de forma truculenta.

Por conta própria

Sem obter respostas do Poder Público, parentes e amigos têm realizado, buscas por conta própria. “A gente saí em busca deles. Em comboios de 20, 25 carros. Nós entramos na mata, procuramos para todo canto que tenha uma pista”, contou Adriana Moreira, mãe de Jonathan, ao chegar para o encontro com o secretário.

A demora para ter indicações do que ocorreu naquela noite tem afligido as famílias. “Se fosse filho de rico já tinha aparecido, nem que fosse só o corpo. Como é filho de pobre, que mora na periferia, já são 14 dias sem saber notícia”, reclamou após a reunião.

O advogado e membro do Condepe, Ariel de Castro Alves, também criticou a lentidão das operações de busca. “Essas buscas do COE deveriam ter se iniciado no domingo [23/10], quando as famílias foram fazer o boletim de ocorrência no distrito policial. Já é um alento para as famílias, apesar que tardiamente”, disse.

Apesar dos desaparecimentos serem cotidianos no estado, Alves acredita que desde o início era possível perceber que esse caso é especialmente grave. “Todos os dias nós temos desaparecimentos de pessoas em São Paulo. Mas nesse caso são cinco pessoas que desaparecem de uma vez. Isso é algo inédito”, ressaltou.

Além de Jonathan e Robson, estão desaparecidos César Augusto Gomes Silva, 20 anos, e Caique Henrique Machado Silva, 18. O quinto rapaz, que dirigia o carro, era Jonas Ferreira Januário, 30 anos.

Agência Brasil

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