Profeta Gentileza é homenageado com exposição em estações do MetrôRio

Foto divulgação

 “Gentileza gera gentileza”. Foi assim com versos simples, mas de enorme profundidade e gestos humildes que evocam a grandeza interior, que o Profeta Gentileza espalhou sua arte e imortalizou seu legado pelo Rio de Janeiro e por todo o Brasil. As frases de José Datrino espalhadas em 56 murais pintados nos pilares do Viaduto do Caju em uma sequência de painéis com tipologia original e escrita própria foram tema de inúmeras expressões artísticas e seguem inspirando as novas gerações. Vestido com túnica e longa barba branca, o artista cruzou o território nacional repetindo palavras que acreditava transmitir o bem, a beleza, a generosidade e, claro, a gentileza. Tendo em vista sua memória artística e ideológica, em 2017 celebramos o centenário de nascimento daquele que é considerado o precursor da arte mural de rua com a exposição “Gentileza Faz 100 Anos”, uma realização da Equipe Trinity, com apoio do MetrôRio e do Instituto Invepar, que estreia em 28 de abril em diversas estações de metrô (segundo o cronograma).

As celebrações são parte do projeto “Gentilezinha” – um personagem na figura de um menino impactado pela obra do Profeta Gentileza e que se torna uma espécie de mascote da cidadania -, realizado através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (ISS). A exposição celebra a memória do aniversariante, expondo seu legado particular através de objetos pessoais do acervo guardado há décadas pela família. Um rico material com itens nunca vistos antes e que trazem novamente ao contato do público o universo poético e lúdico do Profeta Gentileza e a sua dimensão política, estética e cultural, através de fotografias em painéis de PVC e totens interativos.

Para muita gente, a imagem de Gentileza – falecido em 1996 aos 79 anos -, está associada a de um fanático que passava a vida pintando paredes. Mas quem conviveu com ele garante que na mesma figura singular também conviviam o artista popular, o homem do interior inconformado com as injustiças sociais, o poeta, o pintor e o religioso. E parte do legado dessa vida profícua será contado através de teatrinhos socioeducativos encenados em comunidades ao redor das estações do MetrôRio.

Locais e datas da exposição “Gentileza Faz 100 Anos”:

28/04 até 05/05 – Estação São Conrado (saída Rocinha próximo as esteiras)

08/05 a 19/05 – Estação Coelho Neto (parede de acesso)

22/05 a 02/06 – Estação Central (parede saída Centro Administrativo MetrôRio)

05/06 a 19/06 – Estação Jardim Oceânico (acesso Lagoa)

Pequena Biografia:

José Datrino teve uma infância de muito trabalho, lidando com a terra e os animais. Desde cedo aprendeu a amar, respeitar e agradecer à natureza pela sua infinita bondade. O campo o ensinou a amansar burros para o transporte de carga. Tempos depois, já como Profeta Gentileza, se dizia “amansador dos burros homens da cidade que não tinham esclarecimento”. Desde pequeno era possuidor de um comportamento atípico. Por volta dos doze anos, passou a ter premonições: acreditava que um dia deixaria tudo em prol de sua missão. Este comportamento causou preocupação nos pais, que suspeitaram que o filho pudesse sofrer de algum tipo de loucura. Aos vinte anos mudou-se para o Rio, onde se casou com Emi Câmara, com quem teve cinco filhos. Começou sua carreira com um pequeno empreendimento na área de transportes. Aos poucos, o negócio foi crescendo até se tornar uma transportadora de cargas. No dia 17 de dezembro de 1961 houve um grande incêndio no circo “Gran Circus Norte-Americano”, na cidade de Niterói. Considerada uma das maiores tragédias circenses do mundo, o fogo ceifou a vida de mais de 500 pessoas, a maioria, crianças. Seis dias depois, José acordou ouvindo “vozes astrais“ que o mandavam abandonar o mundo material e se dedicar apenas ao espiritual. O Profeta pegou um de seus caminhões e foi para o local do incêndio, onde plantou um jardim sobre as cinzas do circo e fez dali a sua morada por quatro anos. Lá, José Datrino incutiu nas pessoas o real sentido das palavras “Agradecido” e “Gentileza”. Foi um consolador voluntário, que confortou os familiares das vítimas da tragédia com suas palavras de bondade. Daquele dia em diante, passou a se chamar “José Agradecido“, ou simplesmente “Profeta Gentileza” e começou a sua jornada como personagem andarilho. A partir de 1970 percorreu toda a cidade do Rio – e outras 40 no Brasil – fazendo pregação e levando palavras de amor, bondade e respeito pelo próximo e pela natureza. Aos que o chamavam de louco, ele respondia: – “Sou maluco para te amar e louco para te salvar“. A partir de 1980, escolheu as 56 pilastras do Viaduto do Caju, numa extensão de aproximadamente 1,5km e as encheu com inscrições em verde-amarelo propondo sua crítica do mundo e sua alternativa ao mal-estar da civilização.

Serviço:

Exposição Gentileza 100 anos (itinerante)

Data de abertura: 28 de abril de 2017

Local de abertura: Estação de metrô São Conrado (saída Rocinha próximo às esteiras)

No local até: 5 de maio

Segundo ponto de exibição: Estação de metrô Coelho Neto (parede de acesso)

Data: de 8 de maio até 19 de maio

Terceiro ponto de exibição: Estação de metrô Central (parede saída Centro Administrativo MetrôRio)

Data: de 22 de maio até 2 de junho

Quarto ponto de exibição: Estação de matrô Jardim Oceânico (acesso Lagoa)

Data: de 5 de junho até 19 de junho

 

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