Rádio católica culpa união civil gay por tremores na Itália

Uma rádio católica italiana levou ao ar uma declaração dizendo que a recente série de terremotos na região central do país foi um “castigo divino” pela aprovação do projeto de lei que autoriza uniões civis entre homossexuais, em maio passado.

Inicialmente, a frase foi atribuída ao diretor da “Radio Maria”, padre Livio Fanzaga, mas depois a emissora explicou que foi dita por um “apresentador externo”, o sacerdote Giovanni Cavalcoli. “Do ponto de vista teológico, esses desastres são uma consequência do pecado original, são o castigo do pecado original, essas ofensas à família e à dignidade do matrimônio, as próprias uniões civis. Chamemos de castigo divino”, afirmou o religioso.

Gravado por ouvintes, o áudio começou a circular nas redes sociais, gerando uma onda de críticas contra a rádio, até mesmo por parte do Vaticano. “São afirmações ofensivas para os crentes e escandalosas para quem não crê. A ‘Radio Maria’ deve corrigir o tom de sua linguagem e seguir mais o evangelho e a mensagem da misericórdia, propagados com paixão pelo papa Francisco”, declarou o arcebispo Angelo Becciu, substituto da Secretaria de Estado e um dos colaboradores mais próximos do Pontífice.

No entanto, a postura da emissora é de tomar distância dos comentários. “As expressões veiculadas são de um apresentador externo, feitas a título pessoal, e não refletem absolutamente o pensamento da ‘Radio Maria'”, disse a rede por meio de um comunicado.

Por sua vez, Cavalcoli não quis se desculpar pelas declarações. “Confirmo tudo. Os terremotos foram provocados pelos pecados do homem, como as uniões civis. O Vaticano? Deve repassar o catequismo”, afirmou o religioso à “Radio 24”.

O projeto que autoriza a união civil gay na Itália foi aprovado em maio passado, após meses de discussões no Parlamento. A nova lei estende aos homossexuais todos os direitos previstos no casamento, com exceção da adoção e da obrigação de fidelidade, retirados do texto por conta das pressões da ala católica do Congresso.

ANSA

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