Servidores do Colégio Pedro II, no Rio, decidem manter greve

Em assembleia realizada na tarde de hoje (3), os servidores do Colégio Pedro II, escola federal no Rio de Janeiro que tem 14 campi e 13 mil alunos, decidiram manter a greve iniciada na última sexta-feira (28). A paralisação ocorre em protesto contra a Medida Provisória do Ensino Médio, projeto de lei que instituem a escola sem partido e a PEC do Teto de Gastos, que tramita no Senado como Proposta de Emenda à Constituição 55/2016 (antiga PEC 241 na Câmara).

“A gente entende que esses três elementos fortalecem a nossa mobilização e é por isso que paramos. É uma greve que, em grande medida, tem um conteúdo ético, está preocupada com os caminhos que a política brasileira está tomando nesse momento”, disse o integrante do comando de greve e o professor de história do campus de São Cristóvão III Alexandre Samis.

A assembleia também decidiu que o sindicato da categoria (Sindscope) não deve entregar ao Ministério Público Federal a lista de sindicalizados especificando quem é professor e quem é técnico, conforme pedido feito pelo órgão no começo de outubro como parte da recomendação que determinou a retirada de cartazes com os dizeres “Fora Temer” das grades do colégio. Três diretores do Sindscope tiveram que prestar esclarecimentos ao MPF por causa do episódio, o que a categoria considera desrespeito à autonomia sindical.

Enem

Apesar da greve, o professor Samis disse que as escolas ocupadas estão tendo atividades, entre elas aulões para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o que, segundo ele, não acontecia em outras greves e paralisações.

Participante da ocupação de São Cristóvão, o estudante Matheus Victal, 18 anos, lamenta que o Ministério da Educação tenha decidido adiar as provas nas escolas ocupadas sem antes buscar o diálogo com os estudantes. “Continuamos dispostos a conversar, a gente tinha decidido em assembleia pela desocupação. A gente queria manter o Enem, o Enem é uma coisa nossa, é uma conquista nossa, a gente não queria que ele fosse adiado pra um monte de gente. A gente fica muito triste. Sempre estivemos dispostos a dialogar.”

Após reunião com os alunos e com o reitor do Colégio Pedro II na última terça-feira (1º), a Defensoria Pública da União no Rio de Janeiro (DPU/RJ) recomendou ao MEC a retomada do diálogo com os estudantes das ocupações. “Os defensores públicos federais constataram que os alunos estavam abertos à negociação com o Ministério da Educação. Os estudantes destacaram que não frustrariam a realização das provas do Enem, da mesma forma que não impediram a realização das eleições nas unidades que serviram de zona eleitoral”, informou a DPU, em nota.

Adiamento

O MEC confirmou hoje a decisão de cancelar a aplicação das provas no próximo fim de semana nas escolas ocupadas e informou que, dos 8,6 milhões de candidatos inscritos no Enem, 191 mil farão as provas nos dias 3 e 4 de dezembro.

De acordo com o ministério, 304 locais de prova estão ocupados em 127 municípios. O Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enem, garante a equivalência da prova a ser aplicada neste fim de semana e em dezembro. Os candidatos afetados pela mudança serão notificadas por mensagem ou e-mail. Os novos locais de provas ainda não foram definidos. O ministro da Educação, Mendonça Filho, deve fazer um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão sobre o assunto amanhã (4).

Agência Brasil

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