Vazamento de óleo no Rio Teles Pires afeta comunidades indígenas

Um vazamento de óleo de origem ainda não identificada atingiu o Rio Teles Pires, na divisa entre os estados de Mato Grosso e Pará. A constatação do poluente na água ocorreu no último fim de semana, em uma região próxima ao canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de São Manoel.

Procurado pela Agência Brasil, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que foi notificado do acidente no domingo à noite pela Empresa de Energia São Manoel, responsável pelas obras da usina, que informou desconhecer a origem da substância.

Servidores da autarquia que participavam de uma ação de combate ao desmatamento foram deslocados para o local para tentar identificar a origem do vazamento e a dimensão do dano ambiental.

Segundo a coordenadora de Emergências Ambientais do órgão, Fernanda Pirillo, fotos tiradas durante um primeiro sobrevoo sugerem que, após percorrer cerca de cinco quilômetros, a mancha de óleo já começou a se dispersar – hipótese que, junto com a fonte poluidora, ainda será investigada pela nova equipe de servidores que o instituto enviou para o local.

“Ainda não temos informações sobre a extensão da mancha, mas, nas fotos, o que vemos é uma mancha que, apesar de grande, está dispersa, provavelmente porque o volume não é muito grande”, comentou a coordenadora, explicando que os servidores do instituto ainda vão inspecionar as margens do rio para verificar se o óleo pode estar impregnando a vegetação.

“Mas nosso foco agora é buscar identificar a origem do vazamento, que pode ter sido causado também por uma eventual avaria em alguma balsa usada por garimpeiros que atuam na região”, acrescentou Fernanda. Se ficar comprovado que o óleo vazou das obras da Usina Hidrelétrica de São Manoel, a empresa de energia responsável será multada.

De acordo com o representante indígena Taravy Kayabi, a rotina de pelo menos nove aldeias Kayabi situadas ao longo do curso do Rio Teles Pires foi afetada. Cerca de 50 famílias, com aproximadamente 300 pessoas, vivem nas nove aldeias. O receio de Taravy é que, caso não tenha se dispersado, o óleo siga o curso do rio, penetrando ainda mais pela Terra Indígena Kayabi, onde atingiria outras aldeias, inclusive de outras etnias indígenas.

De acordo com Taravy, a presença de óleo na água tem impedido os índios de pescar desde o final de semana – atividade de subsistência que, segundo o representante indígena, já vinha sendo prejudicada pela deterioração da qualidade do rio em função das obras de construção da Usina São Manoel.

“Além da mancha de óleo, a água do rio está bastante suja, barrenta e as comunidades estão enfrentando dificuldades para apanhar peixes”, disse Taravy. Segundo ele, nesta época do ano, é comum que a água do rio fique mais escura devido às chuvas, mas, com as obras, a terra carregada para o rio agravou a situação.

Mesmo sem saber as origens do óleo, a empresa São Manoel acionou seu plano de contingência e passou a fornecer galões de água e alimentos às aldeias indígenas afetadas. A empresa garante que está analisando se o poluente vazou de suas instalações e que fornecerá todo o apoio necessário às comunidades ribeirinhas e às autoridades.

Agência Brasil

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