O capitão Ibrahim Traoré, líder militar de Burkina Faso, disse nesta sexta-feira, 3, que a “democracia” “mata” e que a população deve “esquecê-la”. Ele falou em entrevista à televisão estatal e voltou a criticar a ideia de Estado de direito.
Traoré fala em “esquecê-la” e defende uma “abordagem alternativa”
Na entrevista, Traoré afirmou: “As pessoas precisam esquecer a questão da democracia. A democracia não é para nós”.
Ele citou a Líbia como exemplo e mencionou o regime de Muammar Kadafi. Traoré disse que a repressão do período convivia com subsídios para moradia e com educação e saúde gratuitas.
Extensão de mandato, proibição de partidos e repressão a opositores
Traoré chegou ao poder em um golpe há três anos. Ele se apresenta como um líder revolucionário e tinha prometido restaurar o regime democrático com prazo de julho de 2024.
Dois meses antes, a junta militar anunciou que estenderia o mandato por mais cinco anos. Em janeiro, autoridades proibiram todos os partidos políticos como parte de um plano para “reconstruir o Estado”.
Durante o governo, Traoré fez da repressão de dissidentes política de Estado, com silenciamento da oposição, da imprensa e de grupos da sociedade civil. Ele foi acusado de punir críticos enviando-os para a linha de frente contra grupos armados islâmicos, incluindo o JNIM e braços locais do Estado Islâmico.
Relação com Rússia e relatório aponta mortes desde 2023
Burkina Faso, junto com Mali e Níger, passou a buscar assistência militar com a Rússia. Os três países se afastaram da cooperação com países europeus, especialmente a França.
Na quinta-feira 2, um relatório da ONG Human Rights Watch revelou que mais de 1.800 civis foram mortos em Burkina Faso desde que Traoré assumiu o poder em 2023.
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