Pedidos de CPI para investigar o caso Master no Congresso perderam força e parte dos autores desistiu de tocar os trabalhos. A mudança ocorre enquanto Daniel Vorcaro negocia delação com Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República.
CPIs do Master travam no Congresso com decisões do STF e disputa de presidência
Há pelo menos quatro pedidos de criação de CPIs com assinaturas suficientes para instalação no Senado e na Câmara. Mesmo com isso, o Congresso não chegou a instalar as comissões para apurar o caso Master.
A reportagem de VEJA cita a atuação do presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e do chefe da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para evitar a investigação. O STF também negou tentativas para forçar a instalação.
Requerimentos no Senado e na Câmara têm autores que recuaram; Vorcaro negocia delação
No Senado, há um requerimento capitaneado por Eduardo Girão (Novo-CE) e outro por Rogério Carvalho (PT-SE), aliado do governo Lula. Na Câmara, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) assina um requerimento e o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) propõe CPI mista.
O ministro Cristiano Zanin já rejeitou um pedido de Rollemberg para obrigar Motta a instalar a comissão de inquérito. Em caso parecido, o ministro Kassio Nunes Marques está com a relatoria de um mandado de segurança de Girão e outros senadores pedindo a interferência da Corte diante da omissão de Alcolumbre.
Desde novembro, quando a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master, abriu uma onda de pedidos, a temperatura política mudou. Agora, a expectativa recai sobre o acordo de delação premiada que Vorcaro negocia com a Polícia Federal e a PGR.
Base do governo recua com eleições e espera delação para apontar envolvidos
Parte dos autores ligados ao governo Lula evita assumir o trabalho de uma CPI do tamanho do caso Master. A proximidade das eleições também funciona como força de dissuasão para quem defendia a instalação.
Rodrigo Rollemberg diz que a delação do Vorcaro é o fato mais relevante para esclarecer os envolvidos no escândalo do Banco Master. Ele cita que presidentes do PP, senador Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio de Rueda, terão de lidar com a colaboração premiada.
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