O empresário iraniano Jamshid Ghomi, de 63 anos, com dupla nacionalidade americana e iraniana, foi preso na Califórnia na quarta-feira, 3, acusado de ajudar um esquema para burlar sanções dos Estados Unidos. A acusação aponta que ele fornecia equipamentos ligados ao programa nuclear do Irã e às Forças Armadas do Irã.
Prisão na Califórnia mira esquema para vender tecnologia para o programa nuclear do Irã
Segundo a acusação, os Estados Unidos tratam o bloqueio ao acesso do Irã a tecnologias avançadas do Ocidente como uma estratégia para atrapalhar os programas nuclear e militar do país. A prisão acontece em meio a uma tensão entre Washington e Teerã, com pressão do governo Donald Trump sobre o programa nuclear iraniano.
O regime iraniano nega as acusações e diz que suas atividades nucleares têm fins exclusivamente civis.
Acusação cita exportação ilegal entre 2014 e 2018 e uso de empresas intermediárias
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirma que, entre 2014 e 2018, mais de 250 toneladas de equipamentos de rede, criptografia e segurança digital foram exportadas ilegalmente para o país. Parte desse material teria como destino a Organização de Energia Atômica do Irã, além do Ministério da Defesa e Logística das Forças Armadas do país.
Ghomi é proprietário e diretor-executivo da Faraz Pardaz Rayaneh Co. Ltd. (FPR), empresa de tecnologia sediada em Teerã. A acusação diz que ele liderou uma operação para contornar restrições comerciais americanas usando intermediários principalmente nos Emirados Árabes Unidos.
O procurador federal Bill Essayli afirmou: “Ghomi é acusado de ajudar nossos inimigos declarados ao vender equipamentos de origem americana ao Irã e lucrar milhões de dólares em violação às leis de sanções”. A denúncia também inclui lavagem de dinheiro, com a transferência de mais de US$ 15 milhões do Irã para os Estados Unidos por meio de empresas e contas bancárias em Ilhas Virgens Britânicas, Hong Kong, Turquia e Emirados Árabes Unidos.
Mansão de Newport Beach, audiência em 13 de julho e pena de até 20 anos
De acordo com a investigação, parte dos recursos financiou a construção de uma mansão de luxo em Newport Beach, na Califórnia, avaliada em cerca de US$ 35 milhões, o que equivale a aproximadamente 175 milhões de reais. O imóvel foi erguido em um terreno comprado por Ghomi em 2010 e pode ser confiscado pelo governo americano se ele for condenado.
Ghomi responde por conspiração para violar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, com pena máxima prevista de 20 anos de prisão. Até agora, ele não apresentou declaração formal de culpa ou inocência, e sua audiência de acusação está marcada para 13 de julho.
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