Quase 90% dos deputados tentam reeleição e emendas podem travar a renovação do Legislativo

Em 2026, a reeleição no Congresso vai concentrar as disputas e deixar menos espaço para novatos. Quase 90% dos 513 deputados e 35 dos 54 senadores em fim de mandato vão tentar mais oito anos.

Emendas, dinheiro de campanha e siglas fortes puxam a disputa para quem já está no cargo

A dificuldade para quem é de fora entrar no Legislativo federal cresceu nos últimos anos. A concentração de poder e dinheiro nos atuais parlamentares e nas siglas tradicionais ajudou a ampliar a vantagem de quem já ocupa mandatos.

O avanço das emendas e de verbas de campanha cria uma corrida mais favorável a deputados e senadores com estrutura. Isso também ocorre por causa do peso dos partidos na divisão do fundo eleitoral e das regras que limitam acesso.

Recordes na Câmara e no Senado, com emendas individuais obrigatórias acima de R$ 26 bilhões

Na Câmara, quase 90% dos 513 deputados vão tentar a reeleição em outubro, um recorde desde a redemocratização. No Senado, 35 dos 54 senadores em fim de mandato (64,8%) vão buscar as cadeiras por mais oito anos, também com o maior percentual nesse período.

O pagamento das emendas se tornou praticamente independente do aval do governo. O texto aponta que as emendas individuais obrigatórias devem passar de R$ 26 bilhões em 2026, e que o total de emendas, somando as de bancadas e de comissões, pode chegar a R$ 61 bilhões.

O dinheiro do fundo eleitoral para campanhas vai ser de R$ 5 bilhões em 2026. O texto também cita que siglas precisam eleger no mínimo treze parlamentares ou ter 2,5% dos votos válidos, dividido em nove unidades da federação, para seguir com acesso ao fundo partidário e ao tempo de rádio e TV.

Próximo pleito em outubro e dúvidas nas pesquisas: eleitor decide o voto para o Senado perto da eleição

O estudo “Raio-X das Candidaturas no Congresso Nacional”, divulgado pelo Diap em julho, prevê continuidade do perfil liberal na economia e conservador nos temas sociais e de costumes. O estudo também aponta menor fragmentação partidária e manutenção da força da centro-direita e do Centrão.

Com menos de oito semanas para a votação, uma pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana mostra que dois terços da população não sabem nem em quantos senadores votarão. O levantamento também diz que 32% decidem o voto para o Senado na semana ou no dia da eleição, o que pode dificultar a leitura antecipada do resultado.

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