Alemanha quer reformular o “Made in Germany” para voltar a competir com a China

A Alemanha quer mexer no seu modelo industrial para voltar a competir com a China em meio a custos altos e uma indústria sob pressão. O governo do chanceler Friedrich Merz vai apostar em investimentos, tecnologia e defesa para recuperar a competitividade.

Revanche industrial: governo alemão mira investimentos e tecnologia para enfrentar a China

A mudança de posição no comércio internacional colocou a indústria alemã sob risco. A China saiu de compradora para disputar mercados com produtos mais baratos e mais qualificados.

O impacto preocupa porque a indústria responde por cerca de um quinto da economia alemã. Além disso, importações e exportações de bens e serviços passam de 80% do PIB do país.

Queda na fatia e pressão nos custos: números mostram a troca entre Alemanha e China

Em 2000, a Alemanha tinha 8,7% das exportações mundiais de bens. A China ficou com 3,9%.

Em 2025, a participação alemã caiu para 6,7%. No mesmo ano, a China chegou a 14,4%.

A guerra na Ucrânia aumentou os custos de produção. Com as sanções contra Moscou, o fornecimento de gás russo a preços mais baixos terminou, e a economia do país cresceu pouco nos últimos dez anos: 0,8% ao ano.

Pacote de Merz inclui fundo de empréstimos, corte de impostos e dinheiro para defesa

Merz, que tomou posse em maio de 2025, articulou uma mudança na Constituição para criar um fundo extraordinário. Esse fundo pode assumir até 500 bilhões de euros (cerca de 3 trilhões de reais) em empréstimos ao longo de doze anos.

O governo também prevê incentivos para empresas investirem mais rápido e quer reduzir a alíquota federal sobre o lucro corporativo, de 15% para 10% em 2032. Para pesquisa e desenvolvimento, serão 17 bilhões de euros neste ano, e os gastos federais com defesa devem chegar perto de 83 bilhões de euros em 2026.

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