Depois do segundo turno da eleição presidencial, especialistas ouvidos indicam que o repúdio ao adversário, usado como principal ativo da campanha, deve manter o país em tensão. Eles alertam que a divisão pode seguir no dia seguinte ao voto e refletir na governabilidade e na relação entre grupos.
Histórico de campanhas polarizadas deixa a disputa sem “reset” no pós-eleição
O cenário descrito pelos especialistas acompanha um padrão visto nos últimos doze anos, com corridas presidenciais muito polarizadas desde 2014.
Em 2014, 3,5 milhões de votos separaram Dilma Rousseff de Aécio Neves no segundo turno, o que deu novo mandato à petista antes de ela ser apeada do Planalto em 2016 por um processo de impeachment.
Linha do tempo: Lula preso em 2018 e ataque em Brasília após novo mandato em 2023
Em 2018, o pleito foi marcado pela prisão de Lula, pela escolha de Fernando Haddad para substituí-lo na urna e pelo ataque à faca contra Jair Bolsonaro.
Em 2022, Lula se apresentou como candidato de uma frente ampla em defesa da democracia e transformou o capitão reformado no primeiro presidente desde a redemocratização a perder a reeleição.
No oitavo dia do novo mandato, milhares de apoiadores de Bolsonaro atacaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, o que levou a um julgamento que condenou o ex-mandatário a mais de 27 anos de cadeia por tentativa de golpe de Estado.
Risco maior agora: governabilidade e ciclos de oposição sem diálogo
Para o cientista político Jorge Mizael, sócio da Metapolítica Consultoria, o risco agora é o país sair da eleição sem resolver o que o dividiu e com um presidente que começa o mandato rejeitado por quase metade dos eleitores votantes.
Ele aponta efeitos na governabilidade e na vida social, além de prever que aparecerão vários pedidos de impeachment ao longo do próximo mandato presidencial.
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