A manutenção de uma reunião sobre tarifas comerciais dos Estados Unidos com o Brasil vai servir como um dos sinais mais importantes para medir a relação entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump após as eleições nos dois países. A avaliação foi feita pelo ex-embaixador brasileiro em Washington e Londres Rubens Barbosa.
Barbosa diz que o que foi combinado antes da eleição precisa acontecer para dar pista
Rubens Barbosa afirmou que a prioridade não é prever efeitos de uma possível derrota republicana nas eleições legislativas americanas. Ele quer observar se Washington vai manter a disposição de negociar com o governo brasileiro.
Para ele, a realização ou o cancelamento do encontro para tratar das tarifas vai ajudar a explicar a postura dos Estados Unidos nos próximos meses.
Encontro sobre tarifas e papel do Departamento de Estado entram no radar
Barbosa declarou: “Vamos ver se o que estava combinado antes da eleição, essa reunião para discutir, negociar as tarifas, vai acontecer”.
Ele também disse que o Departamento de Estado vai ter papel central na condução da relação, mais do que a própria Casa Branca.
Ele citou ainda uma postura cautelosa de integrantes do governo Trump em relação ao Brasil, inclusive após a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.
Efeito do Congresso americano e pressão sobre a Casa Branca podem pesar, mas sem ligação automática
Questionado sobre uma eventual vitória democrata nas duas casas do Congresso americano, Barbosa afirmou que o resultado pode reduzir a capacidade de Trump de tocar a agenda interna. Ele disse: “Eu acho que nós vamos ter que aguardar o resultado”.
Na avaliação do ex-embaixador, o Brasil não ocupa hoje uma posição central entre as prioridades de Washington. Ele também previu deslocamento de atenções para a política externa, com foco na guerra com o Irã, e maior pressão sobre a Casa Branca, com possíveis investigações parlamentares envolvendo o governo e a família do presidente americano.
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