Uma geleira colapsou no Himalaia e causou inundações repentinas e fatais na fronteira entre Nepal e Tibete em 26 de agosto. Pelo menos 1.399 pessoas morreram e o paradeiro de mais de 5.500 segue desconhecido.
Calor fora do padrão antes do desastre reacende debate sobre mudanças climáticas no Himalaia
Uma análise de dados meteorológicos aponta que a região teve temperaturas sem precedentes para o fim de agosto. Os pesquisadores relacionam o período de calor incomum ao colapso da geleira.
A reconstrução foi feita a partir do modelo climático ERA5, do observatório europeu Copernicus, e de informações de 14 estações meteorológicas instaladas em áreas de grande altitude.
Temperatura perto de 5°C entre 21 e 26 de agosto e diferença de 1,8°C em relação a meados do século XX
Segundo os dados reconstituídos por Robert Rohde, cientista-chefe da organização Berkeley Earth, a temperatura média ficou próxima de 5°C entre 21 e 26 de agosto. Em mais de 55 anos de registros, a região não havia ultrapassado os 4°C nesse mesmo período do ano.
A temperatura média desses seis dias ficou cerca de 1,8°C acima do que foi observado em meados do século XX. A avalanche também aconteceu durante o quarto verão mais quente registrado na região de Langtang desde 1970.
Volume de detritos e impacto na busca por desaparecidos após 26 de agosto
O colapso liberou 200 milhões de metros cúbicos de rocha e gelo. Esse volume gerou um tsunami de água, rocha e sedimentos, que atingiu milhares de pessoas.
Entre as pessoas desaparecidas estão quase 800 estrangeiros que viajaram para fazer trilhas no Himalaia e peregrinos hindus em uma jornada espiritual no monte sagrado Kailash, no Tibete. + Nepal decreta luto nacional treze dias após desastre que matou 1.400 pessoas.
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