Estudo aponta empate entre narrativas de esquerda e direita sobre tarifaço dos EUA

Um tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros virou um debate político nas redes, saindo do foco econômico. Um estudo do Instituto Democracia em Xeque, divulgado nesta sexta-feira, 17, mostra que as discussões políticas tiveram mais alcance do que os posts técnicos.

Tarifaço ganha disputa nas redes e supera explicações técnicas

O levantamento analisou 3.084 publicações e 14,8 milhões de interações entre 10 e 16 de julho nas principais plataformas.

O instituto identificou um cenário de equilíbrio entre os atores do debate. Direita e esquerda ficaram com 34% das postagens cada, enquanto a imprensa teve 32%.

Posts citam “culpa pelo tarifaço” e “defesa da soberania”

Segundo o estudo, 58% das publicações falaram em “culpa pelo tarifaço” e “defesa da soberania”.

Na esquerda, a estratégia principal foi defender a soberania nacional em resposta ao tarifaço. As postagens criticaram a postura do governo Trump e citaram apoio ao Pix.

Também ganhou força a narrativa que liga a família Bolsonaro à adoção das tarifas. O tema foi resumido pela expressão “Tariflávio”, usada para vincular o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à medida americana.

Disputa eleitoral de 2026 entra na conversa e pode mexer com o bolso

O Instituto Democracia em Xeque diz que a crise comercial foi absorvida pela disputa eleitoral de 2026. O estudo afirma que Lula aparece com vantagem até o momento por causa do discurso de defesa nacional e contra a família Bolsonaro.

O instituto também aponta que esse discurso pode perder força se os efeitos do tarifaço chegarem aos empregos e ao bolso das famílias.

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