Feira da Reforma Agrária leva produtos agroecológicos para o centro do Rio

Mais de 130 toneladas de produtos como arroz, feijão, frutas, legumes e verduras produzidos sem agrotóxico estão à venda na Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes. Pelo nono ano, as barracas de produtores rurais de assentamentos de todo o estado do Rio de Janeiro permanecem montadas até quarta-feira (6), no Largo da Carioca, no centro da capital.

Além de vender seus produtos, os agricultores familiares se reúnem na feira para propagar a agroecologia, que respeita o meio ambiente e não usa defensivos agrícolas. A técnica é um dos princípios do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), que organiza a feira – declarada patrimônio imaterial da capital fluminense em 2015 e parte do calendário da cidade.

Outro objetivo da feira é explicar sobre a reforma agrária, de maneira que a terra seja redistribuída e cumpra sua função social, sendo produtiva, como está na Constituição Federal, explica o diretor estadual do MST, Raoni Lustosa. “A feira é fruto da reforma agrária”, disse. “É preciso entender que a reforma agrária produz a vida, ao contrário do agronegócio. Queremos trazer para a sociedade o debate sobre o alimento limpo, sem agrotóxicos ou em transição agroecológica, para que a população da cidade, tenha acesso ao alimento saudável”.

A feira oferece também produtos beneficiados e artesanais, como cervejas, mel, doces, geleias, cosméticos e remédios fitoterápicos, além de almoço, entre as 10h e as 19h, com entrada livre.
Na banca de Conceição Maria da Silva Moreira, de 70 anos, estão à venda coloridos tipos de milho, feijão, mandioca e banana.

“Eu ainda planto, não planto muito porque estou com problema de saúde. Mas mantenho minha criação de galinha, tenho boa quantidade de galinha, tenho também duas vaquinhas e muitas frutas. A gente faz um esforço para trazer para a feirinha” completou. Ela é assentada há 11 anos, no interior do Rio, e participa da feira pelo 4º ano.

O empreendimento é uma alternativa de renda para família, às vésperas das festas de fim de ano. “Quando chega em dezembro, a gente espera essa feira. Para colher o que tem, pegar dos nossos companheiros, fazer nossos doces, queijos, trazer e ganhar um dinheirinho”, revelou.

A aposentada Heloísa Carvalho foi até o local em busca de artigos orgânicos. Saiu de lá satisfeita. “É qualidade de vida, procuro sempre feiras orgânicas, essa é minha preocupação”. Durante o dia, quem cruzar o Largo da Carioca poderá aproveitará ainda shows de forró e música caipira e seminários sobre reformas propostas pelo governo, como a da previdência.

Cícero Guedes

O nome da feira é uma homenagem ao agricultor familiar e integrante do MST, de 43 anos, assassinado por pistoleiros, em 2013, próximo à Usina Cambahyba, no município de Campos dos Goytacazes, com tiros na cabeça e nas costas. As terras da usina, onde o ativista foi morto, ficaram conhecidas no país em 2012, quando o livro de memórias do ex-delegado do Dops Cláudio Guerra revelou que, ao menos, dez pessoas contrárias à ditadura civil-militar foram incineradas lá, na década de 1970.

Cícero, que já tinha sido resgatado da condição de trabalhador escravo, era referência em agroecologia, pelas técnicas que desenvolveu em seu lote, no Assentamento Zumbi dos Palmares, e por projetos em parceria com a Universidade Estadual do Norte-Fluminense. De acordo com o último relatório da Comissão Pastoral da Terra, foram registrados este ano 63 assassinatos no país, por conflitos no campo, até setembro de 2017. Ano passado, foram 61.

 

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