Guterres denuncia invasão israelense em centro de treinamento da UNRWA em Jerusalém

António Guterres denunciou que soldados israelenses forçaram a entrada em um centro de treinamento da UNRWA em Jerusalém. O caso preocupa a ONU e coloca em risco a formação profissional gratuita de jovens palestinos.

ONU diz que invasão atrapalha cursos profissionais da UNRWA em Jerusalém

O secretário-geral das Nações Unidas afirmou nesta terça-feira, 25, que a ação aconteceu em Jerusalém. Segundo o porta-voz de Guterres, o incidente impede que jovens palestinos sigam recebendo a formação profissional gratuita oferecida pela UNRWA.

Stephane Dujarric disse que Guterres está “profundamente alarmado com o incidente”. A denúncia coloca a UNRWA no centro do debate sobre a atuação de suas instalações em Jerusalém Oriental.

Invasão ocorreu por volta das 10h locais, com veículos blindados e mais de 5o militares

De acordo com um comunicado da agência, o Centro de Treinamento de Kalandia, em Jerusalém Oriental, foi invadido por volta das 10h locais (4h em Brasília) desta terça. O texto cita pelo menos quatro veículos blindados e mais de 5o militares israelenses.

No momento da invasão, cerca de 20 funcionários das Nações Unidas estavam no local. A informação foi confirmada pelas autoridades israelenses.

A UNRWA condenou a “incursão não autorizada”. A agência afirmou que a entrada de forças armadas em uma instalação da ONU, sem autorização ou consentimento da Organização, “é inaceitável” e lembrou que o centro tem proteção pelos “privilégios e imunidades” previstos no direito internacional.

UNRWA diz que centro segue protegido e liga ação à capacidade da ONU cumprir o mandato

A agência pediu à comunidade internacional que atue “a fim de salvaguardar a inviolabilidade do Centro de Treinamento de Kalandia e de todas as outras instalações das Nações Unidas em Jerusalém Oriental”. Também disse que precisa continuar “prestando serviços essenciais às comunidades de refugiados palestinos sem intimidação, obstrução ou interferência”.

A UNRWA argumentou ainda que “qualquer tentativa de tomar posse, interferir ou de qualquer outra forma prejudicar o funcionamento de uma instalação da UNRWA atinge a capacidade das Nações Unidas de cumprir seu mandato”. O centro de Kalandia funciona há mais de sete décadas e oferece educação profissional gratuita para refugiados palestinos na Cisjordânia ocupada.

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