IFI do Senado projeta alta de arrecadação com guerra EUA x Irã, mas alerta para inflação e mais gastos

A guerra entre Estados Unidos e Irã deve elevar a arrecadação do governo e reduzir o déficit primário no Brasil, segundo um relatório da IFI do Senado. O estudo também prevê aumento da inflação e do gasto público nos próximos meses.

Relatório de Acompanhamento Fiscal aponta impacto duplo da guerra no orçamento

O Relatório de Acompanhamento Fiscal de abril, divulgado pela Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, trata dos efeitos macroeconômicos esperados para o Brasil. A projeção separa ganhos iniciais nas contas públicas e pressões maiores com inflação e despesas.

De acordo com o documento, o quadro depende do preço de referência do barril de petróleo e do quanto isso mexe com receitas e custos do governo.

Simulações calculam ganho de até R$ 99,6 bilhões em receitas e déficit menor em 2026

A IFI estima redução do déficit primário em até 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB), sem contar os juros da dívida pública. O valor pode chegar a R$ 52,2 bilhões em receitas a mais em 2026 se o barril ficar abaixo de US$ 87.

Em um cenário com preço médio do barril em US$ 96,8, o governo pode ter até R$ 99,6 bilhões nos cofres. Com isso, o déficit primário cairia para cerca de 0,1%.

Para 2027, as simulações apontam rombos de 1,2% a 0,6% do PIB. O impacto adicional na arrecadação fica entre R$ 42,1 bilhões e R$ 121,4 bilhões, dependendo da cotação do barril.

Inflação e despesas ligadas ao salário mínimo podem puxar custos em 2026 e 2027

O diretor-executivo da IFI, Marcus Pestana, diz que o ganho de arrecadação vem de dois pontos. A inflação aumenta as receitas tributárias e a alta do petróleo eleva receitas ligadas ao petróleo, como royalties e participações especiais.

A IFI calcula que a alta do petróleo deve somar de 0,7 a 1,0 ponto percentual à inflação de 2026. No cenário citado, o IPCA, índice que mede a inflação, ficaria entre 4,5% e 4,9%, e o impacto adicional em 2027 chega a 0,5 ponto. O relatório também aponta que esse aumento de despesas pode afetar gastos obrigatórios ligados ao salário mínimo, como benefícios previdenciários, seguro-desemprego e abono salarial.

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