Integrantes do MTST marcham 24km e pedem política habitacional em São Paulo

Militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) fazem hoje (31) uma marcha para reivindicar a implantação de uma política habitacional por parte do governo de São Paulo. A passeata saiu por volta das 7h da Ocupação Povo Sem Medo, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, em direção ao Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, zona oeste da capital. O trajeto até a sede do governo estadual está estimado em 24 quilômetros.

Às 10h, a marcha subia pela Avenida Cupecê, que passa pela cidade de Diadema e vai até a zona sul paulistana. Os manifestantes, estimados pelo próprio movimento em 10 mil pessoas, pretendem se unir a integrantes de outras ocupações na Ponte do Morumbi, próximo ao destino final do protesto. A Companhia de Engenharia de Tráfego estima em 2 mil o número de participantes.

Ontem (30), a juíza Ida Inês Del Cid atendeu a um pedido da prefeitura de São Bernardo e proibiu uma apresentação do cantor Caetano Veloso em solidariedade à ocupação. Na decisão, a magistrada argumentou que o local não tinha estrutura para comportar o show.

“Seu brilhantismo atrairá muitas pessoas para o local, o que certamente colocaria em risco estas mesmas, porque, como ressaltado, não há estrutura para shows, ainda mais, de artista tão querido pelo público, por interpretar canções lindíssimas, com voz inigualável”, diz o texto da liminar.

Reintegração

O terreno onde está a ocupação Povo Sem Medo foi tomado pelo MTST há cerca de dois meses. “São milhares de famílias que não têm mais condições de pagar aluguel, são afetadas pelo desemprego e pela crise, ocuparam esse terreno”, disse hoje o coordenador do movimento, Guilherme Boulos, durante transmissão ao vivo da passeata pelas redes sociais.

Desde o início de outubro, a Justiça concedeu a reintegração de posse do terreno em favor da construtora MZM. No entanto, a desocupação está sendo negociada pelo Grupo de Apoio às Ordens Judiciais de Reintegração de Posse (Gaorp). Segundo o MTST, 8 mil famílias estão na área.

O movimento diz que o local está abandonado há décadas e a proprietária do terreno tem mais de R$ 500 mil em dívidas tributárias com a prefeitura de São Bernardo do Campo. A administração municipal, entretanto, não confirma o valor, alegando que não pode divulgar débitos de contribuintes em respeito ao sigilo fiscal.

A MZM afirma que há um pedido de revisão do valor lançado no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), e não uma pendência de pagamento. A construtora diz que adquiriu o imóvel em 2008.

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