O governo Lula negou vistos de entrada para dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos. A medida gerou resposta da administração de Donald Trump e mostra atrito com a campanha eleitoral.
Negativa de vistos mira troca de acusações entre Brasil e EUA
O Ministério das Relações Exteriores disse que a decisão foi uma forma de contestar a intenção atribuída à visita. O governo brasileiro considerou que a ida de membros do Departamento de Estado serviria para levantar dúvidas sobre a lisura do sistema eleitoral.
A administração de Trump negou qualquer objetivo de interferir na eleição presidencial. O Departamento de Estado afirmou que a viagem seria uma “visita rotineira” e contestou a acusação em nota.
Quem são Barnes e Samson e qual foi a justificativa na solicitação
Os funcionários citados foram Riley M. Barnes e Samuel D. Samson. Eles pediram a autorização na última segunda-feira 20, com a justificativa oficial de discutir liberdade de expressão no contexto das eleições.
A reportagem foi publicada pelo jornal The Washington Post e confirmada por VEJA no domingo 26. Barnes é subsecretário para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL) e atua desde abril como Coordenador Especial para Assuntos Tibetanos. Ele também tem a função de “embaixador itinerante para a liberdade religiosa internacional”.
Samson é subsecretário adjunto do Departamento de Estado. Ele coordena iniciativas de alcance regional e projetos estratégicos ligados à agenda America First (“América em Primeiro Lugar”), diretriz da política externa de Trump.
Solicitação ocorreu antes de evento em Brasília com Flávio Bolsonaro
De acordo com o texto, Barnes e Samson solicitaram a autorização um dia antes de o candidato Flávio Bolsonaro (PL) participar de um evento com embaixadores em Brasília. No encontro, Flávio Bolsonaro atacou as urnas eletrônicas com acusações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Com a negativa do Itamaraty, a troca entre Brasil e EUA continua centrada nas acusações sobre a eleição presidencial. A resposta oficial dos Estados Unidos seguiu pela via do Departamento de Estado.
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