O especialista britânico em segurança e geopolítica Mark Galeotti afirmou que o crime organizado não é uma falha do sistema e que a inteligência artificial (IA) pode dar novas oportunidades para criminosos. As declarações foram feitas em entrevista à VEJA, com destaque para temas como corrupção, jogos de azar e segurança.
Galeotti liga corrupção à expansão do crime organizado e critica tratamento como “colarinho branco”
Mark Galeotti rejeita a ideia de que o crime acontece por erro no sistema. Ele diz que governos e máfias usam táticas parecidas de extorsão.
Ele também afirma que a corrupção abre caminho para outros problemas ligados a atividades ilícitas. Para ele, combater crime organizado exige punição severa e confisco de ativos.
Lançamento da HarperCollins em agosto e foco em Brasil, bets e operações em favelas
O novo livro de Galeotti, A natureza criminosa: como o crime organizado molda a sociedade, chega em agosto às livrarias brasileiras pela HarperCollins.
Galeotti dedica atenção especial ao Brasil e critica operações policiais nas favelas durante a preparação para a Copa do Mundo (2014) e as Olimpíadas do Rio (2016). Ele também comentou a regulamentação recente das bets no Brasil dizendo que não conhece os detalhes técnicos das novas regras, mas lembra que a gestão do sistema é o ponto central.
Sobre jogos de azar, ele diz que o jogo é um comportamento humano como beber ou fumar. Ele destaca que o histórico do setor envolveu dinheiro vivo, o que facilita lavagem de dinheiro e vício, e afirma que os Estados podem ficar complacentes por querer arrecadar.
IA deve facilitar golpes e ataques, diz Galeotti, e desafio vira regular a tecnologia
Galeotti afirmou que a próxima grande vantagem competitiva das organizações criminosas na próxima década é a IA. Ele citou golpes online hiper-personalizados e a democratização do hacking, permitindo ataques complexos por pessoas sem conhecimento técnico.
Ele contou que, em Londres, viu uma gangue de ladrões de carros usando um bot de IA para analisar mercados europeus e identificar onde cada carro roubado teria maior valor de revenda.
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