Uma comissão independente da Organização das Nações Unidas (ONU) acusou a Rússia de cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade ao atacar deliberadamente a infraestrutura energética da Ucrânia. O relatório foi divulgado nesta segunda-feira, 26, e detalha ataques a energia e aquecimento e um esquema de tráfico humano para o Exército russo.
Relatório da ONU liga ataques à energia na Ucrânia a sofrimento no frio
A Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Ucrânia disse que os ataques a instalações de energia e aquecimento fazem parte de uma política para cortar serviços essenciais da população civil.
Os investigadores apontaram que as ofensivas ganharam força no último inverno, com temperaturas chegando a -21 graus Celsius em algumas regiões, deixando moradores sem eletricidade, água e aquecimento.
Inquérito ouviu 255 pessoas e cita alvos elétricos desde fevereiro de 2022
Desde o início da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022, instalações elétricas ucranianas foram alvo de bombardeios, segundo o relatório.
Para avaliar os efeitos no inverno, a comissão reuniu depoimentos de 255 pessoas em nove regiões da Ucrânia, incluindo Kiev, Kharkiv, Odesa, Dnipro e Zaporizhzhia. O documento será submetido à Assembleia Geral da ONU.
O relatório também descreve consequências do frio prolongado, citando falas de um homem de 53 anos e de uma mulher de 74 anos em Kiev, além de relatos de hipotermia e congelamento por profissionais de saúde.
ONU denuncia recrutamento de estrangeiros e recomenda retirada das Forças russas
O relatório diz que encontrou provas convincentes de tráfico humano envolvendo pessoas de 29 países, recrutadas com fraude e coerção para servir no Exército russo.
A comissão afirma que os investigadores concluíram que as práticas violaram direitos fundamentais e recomendaram que as vítimas sejam retiradas das Forças Armadas russas.
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