Um relatório do grupo de direitos humanos Transitional Justice Working Group (TJWG) indica que a Coreia do Norte ampliou execuções ligadas ao consumo de conteúdo estrangeiro e a práticas religiosas desde o fechamento das fronteiras, em janeiro de 2020. O levantamento envolve entrevistas com desertores e mostra um salto de quase 250% no número de condenações à morte no período.
Fechamento das fronteiras em 2020 aumenta punições por conteúdo estrangeiro e religião
O TJWG publicou nesta terça-feira, 5, um relatório com dados sobre o avanço da repressão cultural no governo de Kim Jong-un.
A organização diz que o aumento ocorre depois que as fronteiras foram fechadas, em janeiro de 2020, dentro de medidas do regime citadas como forma de conter a Covid-19.
153 condenados à morte entre 2020 e 2024; foco sai de homicídios e vai para “acesso à informação”
O TJWG entrevistou 880 desertores e identificou pelo menos 153 pessoas condenadas à morte entre janeiro de 2020 e meados de dezembro de 2024.
O número representa um salto de quase 250% em relação ao período anterior, quando homicídios eram a principal causa de pena capital.
No recorte atual, o relatório aponta pelo menos 38 sentenciados à morte por consumir ou compartilhar conteúdos culturais estrangeiros, além de práticas religiosas como a posse de uma Bíblia e atividades classificadas como “superstição”.
Execuções públicas em 2022 e mudança na forma de envio de material clandestino
Em 2022, uma jovem e seu namorado foram executados publicamente após assistirem e compartilharem séries e filmes da Coreia do Sul, segundo o site Daily NK.
A Coreia do Sul aprovou uma lei que proíbe esse tipo de envio por pen drives presos a balões, para reduzir tensões com Pyongyang, e organizações de direitos humanos criticaram a medida por temer impacto no acesso à informação.
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