O historiador e deputado português Rui Tavares afirmou que as chamadas guerras culturais não são um fenômeno recente e tratou do papel das redes sociais na polarização. Ele falou sobre o tema em conversa com VEJA e apresentou ideias no livro Hipocritões e oligarcas: Passado e futuro das guerras culturais (Tinta da China, 2026).
Livro de Rui Tavares liga disputas de identidades ao jeito atual de fazer política
No novo livro, Rui Tavares percorre séculos de história para explicar como valores, identidades e narrativas influenciaram sociedades.
Ele também defende que a democracia precisa recuperar a capacidade de mobilizar e dar sentido a conquistas coletivas.
“Hipocritões” e “oligarcas”: redes sociais, atenção e política na prática
Rui Tavares usa o termo “hipocritão” para políticos como Donald Trump e diz que o problema não é a mentira em si, mas a ideia de falsa autenticidade baseada em admitir defeitos.
Ele também diz que as redes sociais funcionam dentro de uma economia da atenção, com plataformas gratuitas, captura de dados e venda de publicidade. Ele citou efeitos em processos democráticos no mundo e mencionou o Brexit como exemplo de campanhas direcionadas.
Segundo ele, existe uma aliança entre “hipocritões” (políticos) que evitam regular as redes e “oligarcas” (donos das plataformas) que se beneficiam disso.
Reforma das redes passa por proteção de dados e alternativas de plataformas
Rui Tavares afirmou que é possível reformar o sistema, mas depende de ação com proteção de dados pessoais e regras para o que pode ou não pode ser incentivado nas redes.
Ele citou a criação de alternativas, com plataformas mais saudáveis, como a Wikipedia, e disse que as redes atuais favorecem conteúdos com alta intensidade emocional.
Este conteúdo faz parte do Manchete Online, um projeto dedicado a trazer o essencial de cada notícia de forma clara e rápida. Aqui você lê tudo o que precisa saber em menos de 60 segundos. Assine nossa newsletter e receba as principais notícias do dia direto no seu e-mail.