O governo brasileiro avalia que fica mais difícil reverter as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros por falta de interlocução direta entre Lula e Donald Trump. Com isso, o país tende a focar negociações técnicas para tentar reduzir impactos.
Governo diz que a negociação trava no lado político, não só no comercial
Marcela Rahal afirmou, no VEJA em Foco, que representantes do governo trabalham com baixa expectativa de que Washington recue da decisão. José Benedito destacou que o tema ganhou um componente político que pesa nas tratativas.
Na visão do editor, o governo Trump aposta que o aumento das tarifas fortalece a indústria americana ao estimular empresas a produzir nos Estados Unidos e diminuir a dependência de importações.
Benedito aponta que Trump usa tarifas como ferramenta política e eleitoral nos EUA
Segundo Benedito, a estratégia do governo Trump vai além da economia. Ele disse que Trump pode buscar dividendos eleitorais nas disputas políticas internas dos Estados Unidos, o que tornaria uma mudança de posição mais improvável.
Ele também afirmou que a decisão final continua concentrada na Casa Branca. Benedito disse que “o que vai pesar é a caneta de Trump” e que o presidente americano adota uma postura imprevisível.
Sem canal direto entre os presidentes, Brasil mira “salvar os móveis”
Para Benedito, o principal obstáculo para o Brasil hoje é a falta de interlocução política entre Brasília e Washington. Ele afirmou que “não há uma interlocução entre os dois presidentes hoje” e que, apesar de conversas nos bastidores, não existe um canal direto entre Lula e Trump para abrir espaço em uma negociação política.
Sem esse contato, ele espera que o Brasil concentre esforços nas negociações técnicas. Benedito disse: “É muito difícil que essas tarifas não sejam aplicadas” e que a tarefa agora é “salvar os móveis”.
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