Rede elétrica trava projetos eólicos e solares por falta de escoamento

O sistema elétrico brasileiro tem trechos “estrangulados”, sem capacidade para receber novos projetos, e isso já torna investimentos inviáveis. O impacto bate forte em fontes renováveis, como eólicas e solares.

Falta de linha para escoar energia faz projetos novos perderem viabilidade

Quando não existe onde levar a energia gerada, novos empreendimentos deixam de sair do papel. A eletricidade que não é usada pode trazer risco de instabilidade e até apagão.

Em linhas de transmissão com baterias ou usinas reversíveis, esse cenário muda. Fora dessas exceções, o problema aparece com força quando a oferta cresce sem a rede acompanhar.

Aneel cita Buritizeiro (MG) e aponta ausência de margem no SIN em 4 anos

A Aneel apontou como inviável um complexo privado que uma empresa norte-americana queria construir em Buritizeiro (MG). O plano incluía 25 usinas fotovoltaicas e mais de 1 gigawatt (GW) de capacidade instalada.

A agência disse que várias localidades não têm margem de escoamento disponível para conectar novos projetos ao Sistema Interligado Nacional (SIN) no horizonte dos próximos 4 anos.

No Nordeste, a situação aparece no detalhe: a região tem mais de um quarto da capacidade do país e a carga vem em 42,5% de energia eólica e solar. Mesmo assim, não há margem de escoamento nos 226 pontos de conexão localizados na região até 2030.

ONS usa curtailment e planos preveem R$ 116,9 bilhões para ampliar a rede

Quando o ONS identifica sobreoferta em um trecho, ele manda reduzir a produção. Essa medida chama curtailment e pode desligar turbinas e painéis mesmo com condições favoráveis.

O Plano Decenal de Energia (PDE) 2026-2035 prevê R$ 116,9 bilhões em investimentos. Desse total, R$ 78 bilhões vão para ampliar em 29 mil quilômetros as linhas de transmissão e R$ 38,9 bilhões para construir e manter subestações.

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