Lula diz que “taxa das blusinhas” acaba; setor teme custo maior de importados

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a cobrança da “taxa das blusinhas”, feita em compras internacionais de até US$ 50, deve ser extinta. A decisão acendeu alerta no setor produtivo sobre custo, concorrência, emprego e arrecadação.

Empresários pedem isonomia após Lula anunciar fim da cobrança de importados

Representantes do setor produtivo afirmam que a medida pode aumentar a diferença de custos entre produtos nacionais e importados. Eles citam efeitos na competitividade das empresas, no emprego e na arrecadação.

Alfredo Cotait Neto, da CACB, da Associação Comercial de São Paulo (ASP) e da FACESP, diz que a retirada da cobrança precisa vir acompanhada de condições equivalentes para empresas brasileiras. Ele defende tratamento tributário igual para a mesma faixa de valor no mercado interno.

MP 1.357/2026 suspende alíquota de 20% até 8 de setembro; Congresso analisa entre 31/8 e 4/9

Lula falou sobre o assunto em entrevista à TV Record no dia 23 de agosto. Ele afirmou que a cobrança deve acabar e citou a situação atual da alíquota de 20% do Imposto de Importação.

Segundo o texto, a cobrança está suspensa pela Medida Provisória 1.357/2026, editada pelo governo federal em maio. A MP perde validade em 8 de setembro se não for aprovada pelo Congresso, com expectativa de análise no esforço concentrado entre 31 de agosto e 4 de setembro.

O levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a cobrança preservou mais de 135 mil empregos e manteve quase R$ 20 bilhões na economia. A entidade também relaciona a medida à redução de R$ 4,5 bilhões nas importações.

Retirada da taxa pode afetar comércio e arrecadação antes da votação no Congresso

O economista sênior Ulisses Ruiz de Gamboa, do IEGV/ACSP, afirma que a retirada tende a aumentar pressão sobre empresas diante da concorrência de produtos estrangeiros. Ele também diz que o emprego no setor de comércio e a arrecadação tributária devem sofrer impacto.

Gamboa aponta que o governo precisa da arrecadação e que, sem a taxa, o comércio brasileiro perde ainda mais competitividade. A cobrança volta a incidir sobre compras internacionais de até US$ 50 se a MP não for aprovada até 8 de setembro.

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