Lula e Flávio Bolsonaro miram mais indicações ao STF em disputa após crise na Corte

A crise no Supremo Tribunal Federal, considerada a maior da história da Corte, ganhou força na campanha eleitoral e virou tema nas falas de Lula e de Flávio Bolsonaro. O impacto é levado até o primeiro turno, em 4 de outubro.

Campanha usa crise no STF para falar em indicações extras em caso de vitória

As duas candidaturas dizem que, se vencerem as urnas, terão uma vaga a mais para indicar para o Supremo do que prevê a contagem atual. Esse tipo de projeção aparece em meio à polarização entre lulismo e bolsonarismo dentro do tribunal.

O discurso também liga grupos diferentes ao apoio que o ministro André Mendonça teria e ao alinhamento com Flávio Bolsonaro. A ala associada ao ministro Alexandre de Moraes é colocada como mais próxima de Lula, e todos negam viés político.

Falas em comício e ato de campanha citam Moraes e Toffoli e citam o caso Master

Em comício na Avenida Paulista no feriado da Independência, o postulante do PL afirmou que indicaria cinco ministros “contra as drogas, o aborto e a ideologia de gênero”. Ele disse que Alexandre de Moraes “vai cair” por causa das revelações sobre a relação do ministro com o ex-dono do Master Daniel Vorcaro.

Do lado de Lula, não houve citação nominal ao ministro Dias Toffoli no lançamento oficial da campanha à reeleição, no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP). Lula falou sobre um delegado de polícia na ditadura que teria permitido a ida ao enterro da mãe e comparou com um juiz e ministro que ele indicou, que teria negado a saída da cadeia para o enterro do irmão Vavá.

Lula também citou que Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal e homem de confiança dele, teria levado pessoalmente um relatório com indícios sobre Toffoli ao presidente do Supremo, Edson Fachin. Mesmo com acordo para Toffoli deixar a relatoria, os ministros se reuniram a portas fechadas e disseram que não havia mais o que investigar, enquanto o relatório ficou engavetado até hoje.

Declaração de Lula pede derrubada do sigilo e aponte de mais informações nos autos

Nos últimos dias, Lula publicou declaração nas redes sociais pedindo a derrubada completa do sigilo sobre o caso Master, “doa a quem doer”. Ele tenta se posicionar sobre a crise sem entrar em conflito com o Poder Judiciário e sem citar um integrante específico, Alexandre de Moraes, muito próximo dele no mandato atual.

A publicação também menciona a troca de mensagens com Vorcaro e o contrato de 129 milhões de reais do banco com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. A fala de Lula inclui a expectativa sobre o que pode aparecer nos autos sobre o ex-advogado do PT que ele indicou ao STF.

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