Na véspera das eleições, candidatos no Rio quase não fizeram posts sobre São Cosme e São Damião, e a promessa de doces ficou fraca para a criançada no último domingo (27). A movimentação também chamou atenção nas redes sociais, onde não houve pedidos de agrados com base na devoção aos santos.
Cidade esperava doces, mas redes sociais ficaram sem posts de devoção e distribuição
O Dia de São Cosme e São Damião costuma render tradição no Rio. Neste domingo (27), pelo menos nas redes sociais, não houve movimentação de candidatos mostrando sua devoção aos santos e fazendo um agrado às crianças.
O cenário aparece ligado a um contexto de críticas feitas por religiões neopentecostais a tradições afro-brasileiras. A celebração dos santos tem ligação com o sincretismo entre crenças de matriz africana e a Igreja Católica.
Posts citam Tarcísio Motta, Marcos Braz e vídeo de Átila Nunes; crença afro e origem da festa entram na publicação
Entre as exceções, o deputado estadual (atualmente na suplência) Átila Nunes (PSD), Tarcísio Motta (PSOL) e Marcos Braz (PSDB) fizeram referência à data sem mostrar distribuição de doces. Tarcísio postou um vídeo montando o saquinho “perfeito” de Cosme e Damião.
Átila Nunes publicou um vídeo educativo e lembrou a origem do Dia de São Cosme e São Damião. Pela tradição católica, os santos viveram no século 3 (DC), ajudavam doentes sem cobrar e morreram por volta do ano 303. A crença afro-brasileira associa os santos aos Ibejis e aos Erês, divindades infantis, e ele também postou um ritual homenageando os Ibejis.
Marcos Braz também escreveu uma mensagem sobre fé, carinho, união e respeito às tradições, junto de uma imagem do saquinho de doces com as figuras dos santos. Em outro ponto da campanha, um vídeo no WhatsApp relaciona o candidato a governador Eduardo Paes (PSD) à umbanda e coloca Douglas Ruas, apontado em segundo lugar nas pesquisas, como ligado ao cristianismo.
Fábio Py diz que intolerância religiosa afasta políticos e data ainda marca Tenório Cavalcanti
Doutor em Teologia pela PUC-RIO, Fábio Py afirmou que a intolerância religiosa afasta os políticos do Dia de São Cosme e São Damião. Ele citou a ligação dos santos com umbanda e candomblé e disse que o cristianismo teria ficado mais fundamentalista.
A mesma data também marca o nascimento de Tenório Cavalcanti, “Homem da Capa Preta”, de Duque de Caxias. O texto diz que ele distribuía doces em casa, a “A Fortaleza”, em festas com políticos e jogadores, como Garrincha.
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