The Economist aponta o Canadá de Mark Carney como exemplo para países como o Brasil

A revista britânica The Economist publicou na quinta-feira 15 uma capa dizendo que o Canadá mostra lições para lidar com o protecionismo dos EUA. A reportagem destaca o trabalho do primeiro-ministro Mark Carney e o que países como Brasil podem fazer agora.

Capa da The Economist liga pressão dos EUA a novas estratégias de “potências médias”

A publicação diz que a ordem internacional baseada em regras está sendo desmontada nos últimos dois anos. Ela atribui essa mudança, sobretudo, à diplomacia “hiper-transacional e agressiva” de Donald Trump na Casa Branca.

A revista afirma que países que não são superpotências, como Estados Unidos e China, precisam de estratégias novas. Ela coloca Brasil no grupo das “potências médias” e diz que esses países não vão substituir os EUA ou a China, mas podem diminuir estragos.

Carney cita Davos e usa acordos e mudanças internas para reduzir dependência de Washington

Em discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos, Carney defendeu que as nações intermediárias precisam responder às pressões dos gigantes e à erosão de órgãos como as Nações Unidas. A Economist diz que governos intermediários devem agir com pragmatismo, formando coalizões pontuais e acordos flexíveis para proteger o comércio.

No externo, o plano foca na diversificação diplomática e comercial. A publicação relata que, em 18 meses no poder, o Canadá assinou mais de 20 acordos de comércio e segurança em cinco continentes, com negociações com a União Europeia, aproximação com a Índia e acenos à China para reduzir barreiras tarifárias.

No país, a revista destaca reformas econômicas após o choque das tarifas americanas. Entre as medidas citadas estão fim do imposto de carbono sobre o consumidor, criação da “mega-dedução de produtividade” com abatimento fiscal imediato de 100% dos custos com novos equipamentos e meta de dobrar a construção de moradias (500 mil por ano).

Reformas e aumento militar viram referência para o Brasil encarar incertezas

A Economist diz que Carney contornou a chamada “maldição de Juncker”, que envolve o medo de que reformas custem reeleição. A revista relata que a aprovação do primeiro-ministro chegou a cerca de 70%.

Para o Brasil, a publicação trata o diagnóstico como “espelho e alerta estratégico” e aponta a necessidade de destravar produtividade e atrair investimentos. Ela também lembra que o Canadá elevou seus gastos militares de 1,3% para 2% do PIB, com meta de chegar a 4% até 2030.

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