Andy Burnham pede desculpas, mas rejeita reparação financeira por escravidão

O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, fez um aceno positivo ao pedido formal de desculpas pela participação do país no comércio transatlântico de pessoas escravizadas. Ele também rejeitou a ideia de reparação financeira aos países atingidos.

Burnham defende diálogo e pedido formal de desculpas no Reino Unido

Em um artigo publicado na noite desta sexta-feira, 30, no jornal The Guardian, Burnham disse sentir tristeza e pesar pela dor e sofrimento de tantos milhões de pessoas.

Ele escreveu que o tráfico transatlântico foi uma violação brutal, que negou humanidade às vítimas, separou famílias e tratou pessoas como propriedade até a morte.

Artigo saiu antes da viagem à cúpula da Commonwealth em Antígua e Barbuda

Burnham publicou o texto às vésperas de viajar para Antígua e Barbuda, no Caribe, para a cúpula de líderes dos 56 países da Commonwealth.

Ele citou a mobilização em Manchester no século 18 como parte da luta pelo fim da escravidão e disse que o tema precisa ser enfrentado entre países aliados e membros da Commonwealth.

No artigo, afirmou que o Reino Unido vai oferecer um diálogo estruturado com os afetados e que ouvir os apelos por um pedido formal de desculpas em nome do Estado britânico entra no processo.

Reparação em dinheiro fica fora: proposta é tratar dívidas com taxas e prazos

Burnham disse que não acredita que reparação financeira seja a resposta correta e afirmou que os britânicos de hoje não devem ser responsabilizados por injustiças históricas ocorridas em outra época, sob leis diferentes, sem participação pessoal.

Ele também citou que mais de 40% dos países mais pobres e vulneráveis gastam mais com juros do que com saúde, porque os custos do serviço da dívida nesses locais estão nos níveis mais altos em 25 anos. Segundo o premiê, a alternativa é um modelo de pagamento das dívidas, com parceiros globais, com prazos prolongados e taxas mais favoráveis.

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