Presidenciáveis tentam reduzir a desconfiança do setor produtivo e atraem empresários para suas pautas econômicas. O tema volta com força depois de falas de integrantes do PT e de respostas do governo e de outros candidatos.
Do “compromisso público” de 2002 ao cabo de guerra por credibilidade no mercado
Em junho de 2002, Lula buscava superar a desconfiança do setor produtivo. Para isso, a campanha apostou em um compromisso público com a manutenção dos pilares da política econômica.
Na época, o petista divulgou a “Carta ao Povo Brasileiro”, rabiscada por Antonio Palloci. O documento garantiu que não haveria ruptura.
Petistas falam em controle de capitais e ajuste fiscal menor; Durigan promete corte após eleições
Há duas semanas, Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e coordenador do programa de governo do PT, defendeu controle de capitais, fortalecimento de bancos públicos e aumento do salário mínimo para tirar o Bolsa Família do centro. Ele relativizou a relevância do ajuste fiscal.
Após repercussão no mercado, o Palácio do Planalto colocou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, no circuito. Durigan desautorizou Gabrielli e disse que medidas de controle de gastos ocorreriam imediatamente depois das eleições, caso Lula vencesse.
Com a campanha ainda em curso, Lula escalou Fernando Haddad para disputar o governo de São Paulo. No texto, a missão dele aparece como tentativa de ajudar Lula a buscar a melhor votação possível e, nos bastidores, tranquilizar o mercado com ajustes no programa.
Promessas sobre reduzir gastos, privatizações e apoio a candidatos seguem como estratégia de campanha
No programa de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica, aparece como quem defende reduzir 200 bilhões de reais em gastos do governo e vender ativos “não estratégicos” da União para abater a dívida pública. Ela também disse que não faria ajuste fiscal “nas costas dos mais pobres”.
O ex-governador Ronaldo Caiado foi à Fiesp e também fez falas sobre reduzir o tamanho do Estado e controlar os gastos. Já Carlos da Costa, no texto, cita propostas como privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica no primeiro ano e vender ao menos um quarto dos imóveis da União.
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