O premiê do Canadá, Mark Carney, passou a adotar uma postura mais incisiva contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, depois de meses tentando manter a relação cordial. A mudança ocorre no meio de provocações e de medidas que já ampliam a guerra comercial entre os dois países.
Do tom conciliador às ironias: Carney responde a Trump com mais frequência
Carney assumiu o governo em 2025 e, desde então, evitou confrontos diretos com Trump mesmo diante das provocações do republicano.
Nas últimas semanas, ele aumentou o uso da ironia. Em discurso em Ottawa para integrantes do Partido Liberal, Carney imitou os movimentos de mãos de Trump ao falar de um novo projeto de energia limpa.
Provocações citam “governador” e “memes”; UE e tarifas entram na conversa
Trump chegou a chamar Carney de “governador” e também classificou o premiê como “desagradável” e “ingrato”.
Depois que o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, zombou de integrantes de um programa juvenil de cadetes do Canadá, Carney pediu que Washington parasse com “memes” e provocações.
“Parem com os memes, parem de provocar, parem de tentar parecer durões”, disse Carney a jornalistas. Ele também citou uma proposta da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para que Ottawa vire “membro associado” da UE e fez referência indireta a Trump ao dizer: “Não estou propondo um 3º bloco para nos tornarmos um rival de superpotência apenas com melhores modos”.
Tarifas e proibição de importações começam em 29 de setembro
A mudança no tom de Carney acontece junto da deterioração comercial entre os países.
A partir de 29 de setembro, os Estados Unidos vão proibir a importação de produtos canadenses como laticínios, motocicletas e a maior parte das bebidas alcoólicas. A medida ocorre um dia depois de o Canadá impor tarifas de 27 bilhões de dólares canadenses (US$ 20 bilhões) sobre produtos americanos.
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