Dez partidos do Centrão decidiram isolar o PL, partido ligado à extrema direita, e disputar o comando da Câmara dos Deputados. A decisão coloca o bloco no centro da briga pela Mesa Diretora e deve mexer com a negociação do governo no Congresso.
Centrão diz que vai manter bloco e mira protagonismo na Câmara
Os partidos anunciaram a “manutenção do bloco partidário na próxima legislatura”.
Com isso, o Centrão quer seguir como protagonista no Legislativo, reunindo 252 dos 513 deputados federais. Isso equivale a 49% dos votos disponíveis na Câmara.
PL cresce na Câmara e no Senado e Centrão reage com nota pública
O poder de voto do Centrão ajudou o grupo a manter relativa autonomia nos governos Jair Bolsonaro e Lula.
A autossuficiência do bloco foi ligada ao controle do Congresso sobre uma fatia do orçamento federal para investimentos, estimada em 28 bilhões de reais por ano. Dez dias após o resultado das urnas, o movimento ganhou urgência contra o PL, controlado pelo clã Bolsonaro e gerenciado pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto.
O PL subiu na Câmara de 98 para 121 deputados e no Senado de 15 para 28 senadores. O avanço ocorreu em cima de partidos do Centrão, como PSD, União Brasil, Progressistas e MDB.
Hugo Motta recebe apoio e regra de votos pode travar mudanças
Nesta quarta-feira (14/10), o Centrão informou que vai caminhar unido na eleição da Mesa Diretora da Câmara no próximo ano. A nota diz que o presidente Hugo Motta terá apoio para iniciar diálogo em busca de convergência e unidade em torno de sua reeleição à presidência da Câmara dos Deputados.
Na negociação de mudanças na Constituição, por exemplo, a Câmara precisa de um mínimo de 308 votos a favor, em duas votações. O PL de Flávio Bolsonaro tem 121 deputados e o PT de Lula tem 70. No Senado, o PL terá 28 dos 81 votos disponíveis e faltariam 26 para chegar ao quórum mínimo de 54 votos para aprovar emendas constitucionais ou impeachment de juiz do Supremo Tribunal Federal.
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