Criação de empregos desacelera e comércio sente juros e crédito no Brasil

De janeiro a julho de 2026, o Brasil criou 972,2 mil vagas formais com carteira assinada, com queda de 29% ante o mesmo período do ano passado. O recuo aparece também no comércio, com saldo negativo puxado pelo varejo.

Mesmo com ocupação em 5,3%, salários não avançam no trimestre

Os dados da PNAD Contínua, divulgados pelo IBGE, apontaram taxa de desocupação de 5,3% no Brasil.

William Kratochwill, analista da PNAD, disse que o aumento no nível de ocupação não bastou para mexer nos salários no trimestre encerrado em agosto. Ele citou rendimento médio estável com R$ 3.777.

Setores desaceleram vagas formais; construção civil fica entre os destaques

Segundo o Novo Caged, o país criou 972,2 mil vagas formais de janeiro a julho de 2026, resultado 29% menor que o registrado no mesmo período de 2025.

Na agropecuária, foram abertas 51,4 mil vagas, com redução de 51% na comparação anual. A indústria somou saldo de 154 mil postos (+40% menor), e serviços criou 591,5 mil vagas, com recuo de 15%. A construção civil foi o único setor com aumento, com 180,4 mil novas vagas entre janeiro e julho, alta de 2% ante 2025.

Varejo fecha com saldo negativo e juros e crédito limitam compras

O comércio teve saldo negativo de vagas formais entre janeiro e julho, com influência do varejo. O varejo fechou o período com saldo negativo de 51,7 mil vagas, contra criação de 44,1 mil postos com carteira em 2025.

Em julho de 2026, as vendas do comércio varejista recuaram 0,8% em relação a junho, descontados os efeitos sazonais. A queda foi puxada por móveis e eletrodomésticos, que caíram 4,9% no mês, segundo o IBGE, e a CNC apontou custo do crédito e renda das famílias comprometida com dívidas.

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